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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Desejo de mudança e teto de popularidade da presidente

grafico
As pesquisas nacionais pós-manifestações têm mostrado que continua muito forte o desejo dos brasileiros de que o próximo presidente faça um governo diferente do atual. No último levantamento do Datafolha (7 e 8 de maio), por exemplo, esse “sentimento de mudança” alcança 74% da população, mas chega a 80% entre os mais jovens, a 81% entre os que possuem renda familiar acima de 10 salários mínimos e a 82% entre os que têm curso superior.
Já na pesquisa do Ibope, dos dias 15 a 19 de maio, o percentual dos que querem mudança é praticamente de 2/3 (65%). Deste conjunto, 67% afirmaram desejar que essas mudanças sejam feitas por outro presidente no lugar de Dilma Rousseff.
É da natureza humana querer mudança, buscar algo novo, almejar ações diferentes. Mesmo em anos não eleitorais as pesquisas detectam percentuais relativamente expressivos da população querendo mudança nas ações de governo.
O clamor por novas ações não é, necessariamente, um cartão vermelho para o comandante do executivo, tanto que, às vezes, parte ponderável dos eleitores indica que estas novas ações reclamadas podem até mesmo ser levadas a efeito pelo próprio governante.
Portanto, o desejo mudancista que se alastrou no país não se originou nas manifestações de junho do ano passado, mas se intensificou a partir dali. E tem deixado um recado claro de que a maioria da população quer as mudanças realizadas por outro mandatário que não a incumbente.
É esse sentimento de mudança que se tornou o vetor determinante das eleições de 2014. A percepção do eleitorado sobre o desempenho do governo está relacionada a esse sentimento. Com efeito, observando-se o gráfico que acompanha o texto, nota-se que a avaliação positiva do governo Dilma, mensurada pela soma das percentagens de ótimo e bom extraídas das pesquisas do Ibope, circunscreveu-se ao patamar de 30% a 40%, desde a primeira pesquisa (julho) pós-movimentos de rua.
Tirando o percentual extremo de 31% de menções positivas para o governo registrado em julho, muito contaminado pelo rescaldo dos movimentos de rua do mês anterior, as nove pesquisas do Ibope de agosto em diante apresentam uma média de 38% de ótimo e bom (levando-se em conta apenas as realizadas em 2014 a média baixa para 36%).
Se computadas todas as 23 pesquisas nacionais publicadas de agosto de 2013 para maio de 2014 (Institutos Datafolha, Ibope, MDA, Vox Populi e Sensus), essa média é de 37% (a média cai para 35% quando apenas as pesquisas de 2014 são consideradas).
Neste conjunto de 23 levantamentos a avaliação positiva do governo ultrapassou ligeiramente os 40% em apenas três ocasiões: Datafolha (41%) e Ibope (43%), em novembro e dezembro do ano passado, e Datafolha (41%) em fevereiro do corrente.
Portanto, há notória dificuldade de a presidente melhorar consistentemente sua popularidade depois das insurgências de 2013. As pesquisas do Ibope, e as dos outros institutos, sinalizam tendência de que 40% de avaliação positiva seria o teto da presidente, na atual configuração de tensionamento social e mau humor da população.
Ademais, em cenários com os mesmos postulantes, existe uma forte correlação entre intenções de voto do incumbente e a avaliação de seu governo: quando a avaliação positiva aumenta as intenções de voto também o fazem e vice-versa.
Portanto, se esse contexto de inquietudes permanecer, cristalizando o desejo de mudança e impondo um teto de aprovação do governo em 40%, as intenções de voto da presidente vão gravitar no entorno desse threshold de popularidade.
Entretanto, os limites eventuais de voto que parecem delinear-se para a presidente ainda não foram superados pelos dois principais pré-candidatos da oposição em conjunto, mesmo com a ajuda de votos dos demais postulantes de menor expressão eleitoral. Dessa forma, conquanto mais provável de ocorrer, o segundo turno da eleição deste ano ainda não está assegurado.
Por Maurício Romão, Ph.D. em economia
Maurício Romão é Ph.D. em economia e consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau

Fonte : Blog de Jamildo.

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