
O circo armado na CPI da Covid, com a voz de prisão ao ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, José Roberto Dias, pelo presidente da Comissão, Omar Oziz (PSD-AM), escancarou a disputa de poder entre o Centrão e os militares que orbitam em torno do presidente Jair Bolsonaro, muitos deles agindo no submundo das informações reservadas.
Se antes a briga era entre os generais e a ala ideológica do Governo, agora o confronto de vida ou morte é entre o “núcleo camuflado” de farda e o grupo político que há anos dá as cartas no Ministério da Saúde. A prisão jogou os holofotes sobre novos dossiês com acusações de corrupção, que vão muito além da compra de vacinas.
As denúncias passam agora pela Casa Civil da Presidência, que até então serviu como escudo para blindar Bolsonaro. Nesta temporada, no entanto, a crise mudou de patamar, segundo o jornal Estadão. “Toda CPI tem um ponto de inflexão”, disse o ex-senador Delcídio do Amaral, presidente da CPI dos Correios, que investigou o mensalão no Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005.
“Naquela época, foram duas inflexões: o depoimento do Roberto Jefferson e o do Duda Mendonça. Roberto era o grande líder político e Duda, o marqueteiro que elegeu o Lula. Com todo o respeito, mas, do jeito que está hoje, não roda. É muita fuleiragem. A CPI da Covid pegou o segundo escalão”, acrescentou.
Preso em novembro de 2015, quando era líder do governo Dilma Rousseff no Senado, Delcídio foi absolvido pela Justiça Federal quatro anos depois. Acusado de tentar impedir a delação premiada do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, para atrapalhar as investigações da Lava Jato, ele também foi cassado pelo Senado, com votos do seu próprio partido na ocasião, o PT.
Ex-petista, Delcídio preside hoje o PTB de Mato Grosso do Sul e pretende concorrer a deputado federal, em 2022. Jefferson, que teve o mandato cassado após a CPI dos Correios, virou seu amigo. “Há também um mensalão no Ministério da Saúde, só que ninguém está observando isso”, afirmou o deputado Luis Miranda (DEM-DF), pivô da CPI da Covid e alvo de um dossiê preparado pelo governo Bolsonaro.
Miranda é o homem que diz ter informações para “explodir a República”, usa colete à prova de bala e instalou um detector de metais na entrada de sua casa, em Brasília. Foi ele que esteve com Bolsonaro em 20 de março, no Palácio da Alvorada, e levou a tiracolo o irmão Luis Ricardo, chefe de importação do Departamento de Logística.
No radar – Após o escândalo da cobrança de propina, o Ministério da Saúde suspendeu o contrato com a Precisa Medicamentos, representante do laboratório Bharat Biotech que intermediou as tratativas para a compra do imunizante. Ainda segundo o Estadão, tudo será cancelado e haverá uma “faxina” no Ministério, na tentativa de estancar a crise. Ontem, o demitido foi o diretor do Departamento de Imunização, Lauricio Monteiro Cruz. No depoimento de Dias, que saiu da CPI preso e acabou soltou após pagar fiança de R$ 1.100, as certezas do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), entraram no radar das aflições do Planalto.
Covidão só faz gol contra – Geraldo Covidão, ex-prefeito do Recife, não consegue fazer um único gol como secretário de Desenvolvimento Econômico. Ontem, o Tribunal de Contas do Estado suspendeu mais uma licitação polêmica dele, um contrato de R$ 3, 8 milhões para estudos da implantação do Arco Metropolitano da Região Metropolitana do Recife. O relator Valdecir Pascoal considerou supostas irregularidades graves e suspendeu a licitação. Covidão queria fazer a licitação "de todo jeito". O processo não tinha nem mesmo a licença-prévia ambiental, como exige a legislação federal.
Pente fino – “A Covaxin não tinha passado pela Anvisa. Depois tem a CGU, a CGU que tem um ministro à frente dela, faz um pente-fino na maioria dos contratos e depois ainda tem o TCU, como você vai fazer uma sacanagem dessa? Só na cabeça de um cara que desvia do seu Estado R$ 260 milhões, como o Omar Aziz desviou, é que pode falar isso aí “, disse o presidente. Em seguida, Bolsonaro repetiu que o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), seria alvo de 17 inquéritos na Justiça.
Notícia de compadre – Omar Aziz respondeu sobre o assunto em sessão da CPI na manhã de ontem. “Não sei onde ele ouviu isso, mas, infelizmente, como ele se informa através de compadre, de compadrio, de coisas pequenas, a gente releva. Presidente, eu lhe desafio a procurar um processo em que eu seja réu ou denunciado”, disse. O senador informou ainda que mandará uma carta ao chefe do Executivo questionando o presidente sobre a veracidade das declarações do deputado Luis Miranda (DEM-DF). O deputado afirmou à CPI que Bolsonaro sabia das suspeitas de irregularidades no caso da Covaxin. “O senhor não responde. Passa 50 minutos querendo desqualificar a CPI. Mas é só uma resposta, Presidente, só uma que o Brasil quer ouvir de Vossa Excelência “, afirmou Aziz.
Bolsonaro ataca – No contra-ataque, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, ontem, em Brasília, que o senador Omar Aziz (PSD-AM) desviou R$ 260 milhões em recursos estaduais do Amazonas. O senador é presidente da CPI da Covid na Casa, que investiga as possíveis irregularidades na compra da vacina indiana. Para apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro comentou sobre as suspeitas de superfaturamento nas negociações do imunizante. Segundo ele, não seria possível ocorrer corrupção já que o Ministério da Saúde tem “filtros”, além da atuação da Controladoria Geral da União e do Tribunal de Contas da União.
CURTAS
AMEAÇADO – Aos apoiadores, Bolsonaro voltou a falar, ontem, sobre o voto impresso e as eleições de 2022. Ele indicou que, caso o voto “auditável” não seja aprovado, o pleito estaria ameaçado. “Eleições ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições. Daí teve um tweet que alguém escreveu para o analfabeto de nove dedos dizendo que eu roubei as eleições do ano passado e enganei por causa de uma facada ainda “, disse.
5-G NAS ESCOLAS – O ministro das Comunicações, Fábio Faria, garante que o Governo levará o 5G puro, também conhecido como standalone, a quase todas as escolas urbanas do Brasil. Apesar disso, Faria disse que escolas sem energia elétrica ainda não poderão ter a conexão do 5G e 4G até o aperfeiçoamento da infraestrutura local. “Cerca de 72 mil escolas urbanas poderão fazer a Internet das Coisas, as soluções e aplicações com o 5G. 13 mil escolas receberão o 4G, internet de boa velocidade que temos hoje no Brasil. Portanto, todas as escolas estarão contempladas e quase todas com o 5G standalone”, disse.
Perguntar não ofende: Quem será a próxima vítima de voz de prisão da CPI dos 7 bandidos, como diz Bolsonaro?
Fonte: Blog do Magno Martins.
Nenhum comentário:
Postar um comentário