quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Efeito colateral de Doria foi aglutinar PSDB em torno de Bruno

 Não raro se fazia uma conta de que Bruno Araújo teria se tornado presidente nacional do PSDB pelas mãos do governador de São Paulo, João Doria. Amanhã, o ex-deputado federal pernambucano será reconduzido, às 11h, à presidência da legenda, em ato, autorizado por dirigentes estaduais, deputados e senadores do partido, que se aglutinaram em favor de sua permanência. Há quem observe, nos bastidores, que, em 10 anos, o tucanato nunca se uniu tanto. Em outras palavras, essa união é efeito colateral do movimento feito por Doria em jantar com a cúpula do PSDB na última segunda-feira. Os presentes na ocasião relatam que ninguém sabia o objeto do encontro até serem surpreendidos pela intenção explicitada pelo governador de São Paulo de assumir o comando nacional da sigla. Doria ensaiou avançar nisso, mas a reação dos correligionários resultou em ofício assinado, ontem, pelos presidentes de diretórios estaduais que, por meio do referido documento, solicitaram a prorrogação do mandato do atual presidente nacional. Trecho do texto diz assim: "Torna-se necessária a prorrogação do mandato do atual Diretório e Executiva Nacional, bem como, após avaliação política e consulta aos órgãos regionais, onde viável, a prorrogação dos mandatos dos Diretórios e Executivas Estaduais, Municipais e Zonais". Ao ofício assinado pelos presidentes de 26 diretórios estaduais, se soma uma nota assinada pelos deputados federais. Os parlamentares manifestaram "a confiança na Executiva Nacional" e o apoio à "prorrogação dos respectivos mandatos". A nota prossegue: "Os parlamentares estão certos de que, com a decisão, o partido seguirá mantendo a democracia interna e a convergência na busca de soluções para que o País possa vencer a pandemia e retomar o crescimento com justiça social". O mandato de Bruno Araújo se encerraria em maio. Mas sua permanência acabou precipitada pelo próprio Doria, que, no bojo de seu movimento, acabou precipitando também um projeto presidencial concorrente ao seu, que seguia latente, mas silencioso no ninho tucano: o do governador Eduardo Leite (RS).

Outro efeito foi lançar Leite
No ninho tucano, já se crava que Eduardo Leite é o candidato à Presidência da República do PSDB. O plano, dizem tucanos, só estava embaixo das cobertas e foi desforrado pela pretensão de João Doria de controlar o partido para impor seu projeto presidencial. O governador gaúcho recebe, hoje, comitiva de deputados no Palácio do Piratini. Farão apelo para que ele comece a trabalhar seu nome.

João vai a...> Após receber João Campos, ontem, na residência oficial, Arthur Lira dispensou elogios ao prefeito do Recife a alguns deputados federais que aportaram por lá na sequência. O gesto de João não passou batido a oposicionistas, que botaram esse movimento na mesma conta de outro episódio recente: o suplente de João, Milton Coelho, não assinou a lista de Baleia Rossi na disputa da Mesa.

...Arthur > Mesmo aliados fazem uma leitura de que não interessaria a João, ofuscar acenos ao progressista. Avaliam que eles seriam uma forma de "criar pontes". Além de Milton Coelho, Tadeu Alencar também não assinou a lista de Baleia. Socialistas dizem que "nada é por acaso". PSB emitiu resolução contra voto em Arthur.

Cachimbo da paz > Nas hostes socialistas, é quase uníssono, agora, que as coisas andam "pacificadas". Fala-se que Danilo Cabral e Alessandro Molon teriam fumado o cachimbo da paz. Houve reunião entre o presidente nacional do PSB, Carlos Siquera, o atual líder da bancada e seu antecessor anteontem. Siqueira foi, mais uma vez, avalista do entendimento em torno da liderança de Danilo.

Fonte : Folha de PE.

Nenhum comentário:

Postar um comentário