sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

A era perdida

 

Pelo tom da entrevista do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), ontem, ao Frente a Frente, as oposições vão adotar a estratégia de carimbar o PSB como responsável pela quase década perdida para o Estado após a morte do ex-governador Eduardo Campos. Para ele, os herdeiros da gestão socialista implantada por Eduardo não deram certo, nem no Estado nem tampouco na capital, provocando o maior retrocesso dos últimos anos para um Estado visto lá atrás com a força de um leão, o Leão do Norte.

“Pernambuco está atrás, hoje, até do Maranhão. Isso é deprimente e vergonhoso”, disse Miguel, que desponta na bolsa de apostas como pré-candidato a governador pelo bloco da oposição em 22, assim como a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), e o prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira, além do prefeito de Olinda, Professor Lupércio (SD), liderança na Região Metropolitana também em ascensão.

Segundo Miguel, já está havendo conversas entre eles com vistas à discussão da unidade para enfrentar o candidato do Governo. A preocupação é não repetir os erros na recente eleição do Recife quando se deu uma divisão latente do bloco oposicionista, favorecendo o candidato do PSB, João Campos, que chegou ao segundo turno contra Marilia Arraes, saindo vitorioso pela manifesta rejeição ao PT na capital.

Na entrevista, Miguel não quis carimbar o governador de incompetente e maestro desafinado, mas deixou a entender ser ele o principal responsável pelo momento difícil que o Estado passa, sem investimentos públicos, sem liderança, perdendo a posição de destaque sempre proeminente no cenário econômico e político do Nordeste. “Pernambuco deixou de ser um Estado altivo e respeitado”, afirmou.

Quanto à unidade do bloco oposicionista, difícil acreditar. A construção da candidatura ao Governo está sendo dada em torno de três prefeitos reeleitos – Anderson, Raquel e o próprio Miguel. Cada um com suas peculiaridades e visões diferenciadas. É improvável que qualquer um deles se contente em fechar uma chapa como vice.

Chapa ideal, segundo já se ouve nos bastidores, seria Miguel na cabeça, Raquel Lyra na vice e Anderson candidato ao Senado. Vice, a tucana resgataria a tradição de Caruaru em composição de chapas. Da terra do forró já se projetaram para o Estado como vice-governadores, pela ordem, Jorge Gomes, de Miguel Arraes; Roberto Fontes, de Joaquim Francisco; e, por fim, João Lyra Neto, de Miguel Arraes. Com a mulher em alta na política e vista como boa gestora, dificilmente Raquel aceitaria ser coadjuvante em 22. Quer ser a atora principal do jogo.

Visão de Anderson – O convidado do Frente a Frente de hoje será o prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL), como Miguel igualmente na cota de apostas para o Governo do Estado nas eleições de 22. Vem também de uma reeleição bem sucedida e como Miguel e Raquel Lyra reclama do tratamento de pão e água dada pelo governador aos municípios administrados por gestores no campo da oposição. Anderson também vem ensaiando discurso de que está no páreo ao Palácio do Campo das Princesas, levando vantagem de ser uma liderança com o perfil urbano da Região Metropolitano.

O estilo Raquel – Procurada pela produção do Frente a Frente, a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), se recusou a gravar entrevista. Os mais próximos à tucana, excluindo os áulicos, faça-se a ressalva, acham que, diferente de Miguel e Anderson, que são bem acessíveis, a tucana acha que o mundo gira em torno dela. Não gosta de jornalista, tem pavor à política da miudeza e aos que insistem em mudar seu estilo argumenta que na vida pública só gosta de fazer o moído da gestão. Traduzindo: não nasceu para aturar cuspida de vereador na cara nem inhaca de povo.

O anti-Doria – Em almoço com dez deputados e um senador do PSDB, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), ouviu apelos para que desse início a uma campanha para nacionalizar o seu nome. A movimentação, que já ocorre há aproximadamente um mês, ganhou corpo após atritos entre João Doria (PSDB), governador de São Paulo, e parte da bancada de congressistas do partido. O convite foi aceito, mas de forma cautelosa. A ideia é começar por viagens pelo Nordeste. O senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL), que estava no encontro, ficaria responsável por organizar parte da agenda futura.

Apoio a Bruno – Os senadores tucanos saíram em defesa da permanência do pernambucano Bruno Araújo no comando da executiva nacional. Em nota, disseram que a bancada, em decisão unânime e na esteira da manifestação dos presidentes estaduais e deputados federais, reiterou a confiança na Executiva Nacional e apoia a prorrogação dos respectivos mandatos. Os Senadores estão certos de que, com a decisão, o partido seguirá mantendo a democracia interna e a convergência na busca de soluções para que o País possa vencer a pandemia e retomar o crescimento com justiça social.

Salário de engraxate – O vereador Artuzinho (DEM), de Ibirité (MG), gerou polêmica nas redes sociais após publicar um vídeo em seu perfil em que reclama do valor do salário de vereador no município ser de R$ 5,9 mil. A declaração foi dada na segunda-feira (8) durante uma reunião da Câmara Municipal da cidade. Na gravação, Artuzinho comparou o salário dele com o de um engraxate. “Eu, vereador, numa cidade de 200 mil habitantes, ganhar R$ 5,9 mil, um secretário aí ganha oito, dez (mil). Por isso o cara vai pra Prefeitura e não quer ser vereador. Para ganhar R$ 5.900. Eu no meu gabinete com 50, 60 pessoas e todo dia estou aqui às 10 horas pra ganhar isso aqui, R$ 5,9 mil. Isso não é salário de vereador, isso é salário de vendedor de laranja, engraxate”, afirmou.

CURTAS

COBRANÇA – O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cortês enviou, ontem, um ofício à prefeita Fátima Borba (Republicanos), pedindo para que o município faça o desconto da contribuição sindical em folha e que o valor seja repassado à instituição. O presidente Enilson Quintino cita uma normativa do extinto Ministério do Trabalho e Emprego, em 2008, que versa sobre a obrigatoriedade que órgãos da administração pública têm de recolher a taxa sindical.

O DIVISOR – Apesar da corrente de oposição ter anunciada a unidade na disputa pela presidência da União dos Vereadores de Pernambuco (UVP), tendo na cabeça José Raimundo, de Serra Talhada, o vereador Welber Santana, do MDB de Carnaubeira da Penha, cidade próxima a Serra, insiste em se manter na disputa. Mas poucos acreditam que sua candidatura tenha sobrevivência até o dia da eleição.

Perguntar não ofende: Quanto mesmo o Governo vai pagar no auxílio da pandemia a quem padece de fome?

Fonte: Blog do Magno Martins.

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