O blogueiro Allan dos Santos, que está morando nos Estados Unidos
ADRIANO MACHADO/REUTERS - 27/05/202O blogueiro Allan dos Santos, dono do canal Terça Livre, teve prisão e extradição decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (21). O procedimento autônomo corre em colaboração com autoridades dos Estados Unidos, onde Allan está morando. O pedido foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes há cerca de 15 dias no processo, que corre em sigilo, e foi apurado pela Record TV e pelo R7 nesta quinta-feira (21).
Ele é investigado no inquérito que apura incitação a atos antidemocráticos e ataques à Corte. O perfil original do comunicador no YouTube tinha sido bloqueado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, no ano passado. No entanto, Allan havia criado uma conta-reserva, que contava com mais de 200 mil seguidores.
Em 8 de outubro, o Twitter suspendeu as contas do blogueiro e do canal. Nas páginas que foram bloqueadas, a rede social exibe um aviso de que o ato ocorre por decisão da Justiça brasileira.
Investigação da Polícia Federal
Em relatório elaborado em dezembro de 2020, a Polícia Federal chegou a afirmar que articulação de Allan transcende a "mera difusão de ideias". O documento cita como exemplo anotações apreendidas no escritório do blogueiro, que registravam: "objetivo: materializar a ira popular contra os governadores/prefeitos"; "fim intermediário: saiam às ruas"; e "fim último: derrubar os governadores/prefeitos".
A PF observa ainda que os "objetivos antidemocráticos" externados nos manuscritos apreendidos com Allan têm de ser interpretados em conjunto com o interesse em obter espaço junto à área de comunicação do governo federal.
"É sobre esse enfoque que a CPMI das Fake News e o presente inquérito direcionaram a atenção para os critérios empregados pela Secom no repasse de recursos públicos federais a canais ditos 'bolsonaristas', situação ainda pendente de esclarecimento. Além disso, é fato notório que houve um aumento significativo do número de seguidores de determinados canais dessa vertente, impactando em razão direta no aumento da monetização", registra a PF.
Em setembro, a imprensa noticiou mensagens trocadas por Allan dos Santos com o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, chefe da Ajudância de Ordem da Presidência e assessor do presidente Jair Bolsonaro, em que o blogueiro afirma que as Forças Armadas 'precisam entrar urgentemente' — a declaração teria sido enviada por WhatsApp um dia depois de grupos autodenominados antifascistas protestarem contra o governo, no final de maio do ano passado.
O blogueiro se manifestou nas redes sociais sobre o inquérito depois que a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento da apuração em relação a parlamentares bolsonaristas por considerar que a Polícia Federal não conseguiu delimitar a investigação. "Os autos deste inquérito são provas de inúmeros crimes de abuso de autoridade cometidos por um membro da cúpula do Judiciário", escreveu.
Sugestão de indiciamento na CPI
Além dos inquéritos que correm no Supremo, Allan dos Santos está na lista de sugestões de indiciamento feitos no relatório final da CPI da Pandemia por incitação ao crime. Ele é suspeito de disseminar fake news no âmbito sobre a Covid-19, como a defesa de medicamentos ineficazes contra a doença.
O relatório detalha núcleos articulados de desinformação, e aponta Allan como integrante do núcleo de influenciadores, como o principal agente de disseminação de fake news "e o que possui maior vínculo com a família Bolsonaro". O documento também aponta que ele integra o núcleo político, com conversas frequentes com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) "nas quais tratam de nomes, indicações e financiamentos para os sites". Para a elaboração do relatório, houve compartilhamento do inquérito da fake news, do Moraes.
Fonte: Clébio Cavagnolle, da Record TV, Sarah Teófilio e Emerson Fraga, do R7, em Brasília.
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