quarta-feira, 20 de outubro de 2021

O histórico de Pernambuco é eleger quem tem família ou apadrinhamento na política

 

A negação da política ainda não deu certo por aqui. Em nosso estado, os eleitores precisam de alguém que tenha um histórico político ou um forte apadrinhamento político, apesar de algumas raras exceções em alguns municípios. Vamos aos últimos cargos de governador e senador só para se ter uma ideia apenas dos últimos vinte anos. Jarbas sucedeu Miguel Arraes no posto de governador e disputou o senado apoiando o candidato Mendonça Filho ao governo. Na eleição de 2006 quem se elegeu foi o neto de Arraes, Eduardo Campos, na mesma época em que Jarbas se elegia para o senado. 

Em 2010, na reeleição de Eduardo Campos elegeram-se senadores Armando Monteiro Neto, filho do ex-ministro Armando Monteiro Filho e Humberto Costa que tinha o apoio de Lula e de Eduardo. Em 2014, Eduardo apresentou Paulo Câmara e elegeu como senador Fernando Bezerra Coelho de uma família tradicional do sertão pernambucano. Em 2018, Paulo Câmara, herdeiro do legado de Campos reelegeu-se e enfrentou o ex-senador Armando Monteiro Neto.

Para 2022 não está diferente: os nomes que estão se apresentando para disputarem o governo do estado tem um sobrenome político. Marília Arraes, deputada federal pelo PT, Raquel Lyra, filha do ex-governador João Lyra Neto, e prefeita de Caruaru pelo PSDB, Miguel Coelho, filho do senador Fernando Bezerra Coelho e filiado ao União Brasil, e Anderson Ferreira da tradicional família que tem como aspiração o deputado estadual e pastor Manoel Ferreira que está no oitavo mandato no legislativo estadual, sendo sete consecutivos. 

Um talvez “outside” seria o ministro do turismo Gilson Machado Neto, mas ele também é de família política tendo em vista que seu pai, já foi deputado federal.

Diferentes – Embora os filhos, sucessores dos pais na política, tenham um grande respeito e reverência pelos seus antecessores, alguns imprimem uma marca própria de governo. É o caso de Raquel Lyra e Miguel Coelho que administram cidades que já foram administradas pelos pais mas de uma maneira bastante diferenciada.

Não mandam – Na campanha política de Raquel Lyra foi usado muito um mote contra a prefeita de que ela seria a continuidade do governo de João Lyra Neto e quem mandaria na cidade seria ele e não ela. O tempo passou e a prefeita que hoje é pré-candidata demonstra cada vez mais independência política e uma forma de pensar muito diferente do pai. Da mesma forma, em Petrolina, onde o senador Fernando Bezerra Coelho chega a aconselhar a gestão do filho mas a palavra final sempre é de Miguel.

A tradição – Não que os demais sejam incompetentes, mas a população parece não gostar de apostar em um “novo” e preferem o discurso tradicional de linhagem política. No guia eleitoral de João Campos mesmo em 2020, muito foi falado de sua linhagem política com seu bisavô Miguel Arraes e com o pai, Eduardo Campos.

Briga de Famílias – Não é apenas nas grandes cidades e no estado, mas também em pequenas cidades. Nestas, famílias brigam pelo poder anos e anos sem dar espaço para um terceiro grupo ou nome de fora deles. Polarizações que levam anos que parece até jogo combinado onde um passa dois mandatos e outro, os dois.

Pé na estrada - O governador Paulo Câmara visita, nesta quarta-feira (20.10), o arquipélago de Fernando de Noronha para levar ações do Plano Retomada. Na ilha, o governador participa da inauguração do laboratório de economia circular da empresa Ball e autoriza ações em diversas áreas. Entre os anúncios, Paulo Câmara autoriza a licitação para projeto de drenagem e pavimentação da ilha e a implantação do sistema solar flutuante do Açude Xaréu.

E por falar em 2022 - Anotem: teremos muitas surpresas até o início da campanha eleitoral do próximo e muitas delas que estão sendo costuradas nos bastidores vão deixar muita gente de boca aberta. E nós vamos começar a soltar essas pérolas vez por outra por aqui em nossa coluna.

Silvinho Silva, editor do Blog
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Fonte: Blog do Silvinho.


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