terça-feira, 12 de outubro de 2021

As perguntas que Guedes não respondeu sobre empresa em paraíso fiscal

 

Paulo Guedes ainda deve explicações sobre offshore nas Ilhas Virgens Britânicas

Paulo Guedes ainda deve explicações sobre offshore nas Ilhas Virgens Britânicas

ADRIANO MACHADO/REUTERS - 02.09.2021

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está em Washington, nos Estados Unidos, onde participa da reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional). A viagem acontece em meio a pressões de parlamentares por explicações sobre a offshore em nome do economista nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal.

Em entrevistas na capital norte-americana nesta terça-feira (12), o ministro tentou justificar a alta da inflação no Brasil e falou sobre empresa no exterior. Guedes, mais uma vez, disse que não fez nada de errado, a empresa é legal, foi informada ao Comitê de Ética da Presidência da República, declarada na Receita Federal e registrada no Banco Central.

O ministro investiu nove milhões e meio de dólares no paraíso fiscal e, durante o período em que está no Governo, teve um lucro de quase R$ 15 milhões com a desvalorização do real frente ao dólar em função da política econômica adotada na gestão dele.

À imprensa americana, também alegou que saiu do comando da empresa antes de assumir o ministério da Economia e o STF (Supremo Tribunal Federal) teria arquivado o caso. No entanto, a decisão da corte máxima brasileira não foi sobre o mérito da investigação. O ministro Dias Toffoli entendeu apenas que a notícia-crime deveria ser apresentada diretamente à Procuradoria Geral da República e não ao STF.

Passados nove dias desde que a existência da empresa no exterior foi revelada, o ministro da Economia ainda não respondeu perguntas importantes.


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O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM) criticou a falta de transparência de Paulo Guedes. "É bastante estranho que o ministro comemore o dólar acima de R$ 5. Isso da lucros extraordinários para a offshore dele por um lado, mas aumenta a quase R$ 7 o combustível Brasil afora para o cidadão brasileiro ao qual ele deve satisfação."

O deputado ainda afirmou que resta uma questão de ética e coerência ao chefe da economia. " O Paulo Guedes é o ministro que ataca dia e noite os incentivos fiscais concedidos à industrira brasleira, que produz, gera emprego e distribui renda. Mas ele próprio retira dinheiro do Brasil numa movimentação tão legal quanto são legais os incentivos. Portanto, ainda que não haja uma infração legal, a infração ética e a falta de coerência é absolutamente latente", analisou Ramos.

O mistério em torno da empresa milionária do ministro da Economia deve acabar em breve. Paulo Guedes terá que dar explicações no plenário da Câmara e no Senado. A data ainda não foi marcada.

Procurada pela Record TV, a defesa de Paulo Guedes afirmou que o caso já foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a nota, os documentos apresentados à Procuradoria Geral da República demonstram que o ministro se afastou da gestão da empresa e ele jamais se beneficiou do cargo que ocupa.

Fonte: Thiago Nolasco, da Record TV.

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