sábado, 16 de outubro de 2021

Síndrome de Caco Antibes

Por Houldine Nascimento, da equipe do Blog

Envolto no imbróglio do Pandora Papers, que expôs figurões do mundo inteiro com parte das fortunas em offshores, o ministro Paulo Guedes (Economia) parece padecer da "síndrome de Caco Antibes". O personagem do extinto programa humorístico "Sai de baixo" era interpretado por Miguel Falabella e se notabilizou pelo desprezo a pobres.

Durante sua gestão, Guedes deu várias declarações menosprezando os mais necessitados, chegando a criticar a ida de empregadas domésticas à Disneylândia no passado, quando o dólar não atingia R$ 2. Em outro momento, reclamou do Fies – programa de fomento ao ensino superior – por levar “até filho de porteiro” à universidade.

Sua ojeriza não se restringe aos pobres: se estende à própria economia brasileira. Embora não seja surpreendente, pela posição que ocupa, causa espécie que conserve dinheiro em paraísos fiscais, fugindo da tributação nacional, o que nem a classe média tem chance de fazer. 

Mesmo não sendo ilegal, sua atitude passa a impressão de haver algum receio acerca da estabilidade financeira do país. Isso gera desconfiança nos cidadãos e no mercado. Se o responsável por tocar nossa economia não acredita nela, por que devemos confiar? O caso gerou ao ministro uma convocação na Câmara dos Deputados.

Pela revelação do Poder360 e de outros veículos que integram o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, a filha e a esposa do ministro seguiram no comando da offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Se for comprovado algum investimento após Paulo Guedes assumir o Ministério da Economia, isso agrava sua situação.

Em entrevista concedida à CNN Internacional, na última terça-feira (12), Guedes foi questionado sobre o assunto e negou irregularidades. Ao ser perguntado sobre a condução do Governo Federal quanto à crise sanitária, respondeu que o Brasil praticou distanciamento social e incentivou a vacinação, exatamente o oposto do que o chefe negacionista dele faz até hoje. 

Ao defender os imunizantes, o ministro ocultou a difusão do chamado tratamento precoce, que tem o presidente como o maior propagador e que se revelou absolutamente ineficaz no enfrentamento à Covid-19. Paulo Guedes também esqueceu de mencionar o corte de mais de R$ 600 milhões de recursos para a Ciência, solicitado por ele ao Congresso.

O colega Marcos Pontes, titular da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovações, classificou a medida como "falta de consideração". A redução de quase 90% do orçamento deste ministério vai impactar o Centro Nacional de Vacinas, na UFMG, por exemplo. Além de horror a pobre e ao funcionalismo público, Guedes demonstra ter pavor ao conhecimento, que se revelou tão essencial em um cenário pandêmico.

Retorno ao Estado – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estará de volta a Sertânia, no interior de Pernambuco, na próxima quinta-feira (21). Em uma ação de Governo, o chefe do Executivo vai entregar o Ramal do Agreste. Há previsão de transbordo em Caruaru. Ele deve estar acompanhado de alguns ministros, como Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Gilson Machado Neto (Turismo), além de parlamentares.

Casal armamentista – No Dia das Crianças, a deputada Clarissa Tércio (PSC) publicou em suas redes sociais uma foto portando armas com o marido, o vereador do Recife Junior Tércio (Podemos), que é pastor. A dupla foi a um clube de tiro em Camaragibe, na RMR. “Juntos enfrentaremos todas as guerras, seja no mundo espiritual ou material!”, escreveu a parlamentar que integra a bancada evangélica na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Como fica? – Sonhando acordada com o Palácio do Campo das Princesas, Clarissa vem fazendo diversos movimentos para colar no presidente Bolsonaro. Além dessa defesa ao armamento, ela entrevistou o chefe do Executivo na última quinta (14). Em abril, a deputada recebeu o convite do presidente estadual do Podemos, Ricardo Teobaldo, para ingressar no partido e renovar o mandato na Alepe. Ocorre que a sigla está perto de filiar o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, desafeto de Bolsonaro e que deve disputar a Presidência.

Cirurgias eletivas – O governador Paulo Câmara (PSB) divulgou o Opera Mais: Programa de Ampliação de Cirurgias Eletivas em Pernambuco. O objetivo é atualizar os procedimentos adiados ou atrasados devido à Covid-19. Serão investidos R$ 81,5 milhões visando à realização de 50 mil cirurgias eletivas até dezembro de 2022. O lançamento ocorreu ontem em Paulista, no Grande Recife. Algumas unidades de saúde já têm programação cirúrgica hoje.

Afastamento – A deputada estadual Priscila Krause (DEM) foi categórica ao dizer que Paulo Câmara precisa afastar o chefe do Gabinete de Projetos Estratégicos do Governo, Renato Xavier Thiebaut, alvo da Operação Playback, deflagrada pela Polícia Federal na manhã de ontem. “Manter como está é concordar com os ilícitos”, escreveu a parlamentar em sua conta no Twitter. Ela também lembrou que é a segunda vez que a PF bate à porta de Thiebaut. “Na primeira, Paulo Câmara nada fez”, completou Priscila.

CURTAS

REPOSIÇÃO – O prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), anunciou a reposição inflacionária de 4,52% para os 9.890 servidores efetivos e pensionistas do município. Os valores serão adicionados aos salários de outubro, com efeito retroativo ao mês de abril.

ESTRUTURAÇÃO – Olinda poderá financiar até R$ 46 mi para compor parcerias público-privadas em iluminação pública. A cidade é uma das oito escolhidas no Brasil para acessar recursos do Fundo de Apoio à Estruturação e ao Desenvolvimento de Projetos de Concessão e PPPs (FEP), gerido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional e a Caixa.

Perguntar não ofende: Como a bancada evangélica de Pernambuco se sentiu ao ver o casal

 Tércio posar armado?

Fonte: Blog do Magno Martins.

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