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A imprensa brasileira está de luto. Foi chamado à eternidade, ontem, ainda bem jovem, apenas 63 anos, o jornalista Gilberto Dimenstein, com quem dividi a mesma redação, a do Correio Braziliense na agitada década de 80 em que o País começou a fazer a travessia dos anos de chumbo para à abertura política lenta e gradual. Dimenstein era de família com o tronco e a raiz em solo pernambucano. Foi um dos mais talentosos jornalistas que convivi em Brasília, tendo como chefe Renato Riella, autor do texto que transcrevo abaixo.
“Para alguns, é a perda precoce de um jornalista famoso, de São Paulo. Para Magno Martins e para mim, é a perda de um grande profissional, que nasceu junto com a gente. Convivemos com ele, como irmãos, na década de 80, no Correio Braziliense, aqui em Brasília. A princípio, Gilberto frequentava a nossa redação “emprestado”. Tímido, cumpridão, bem vestido. Bonitão!
Trabalhava numa revista do velho judeu Macksoud, riquíssimo, que de vez em quando mandava Gilberto a Brasília para entrevistar alguém. E o jovem jornalista nos pediu humildemente para usar uma máquina de escrever e depois um telex, para passar matérias. O diretor de redação era Ronaldo Junqueira, recentemente falecido. Mas o comando estava, na verdade, nas mãos de Fernando Lemos (já falecido) e comigo.
Adotamos o meio estranho judeu, que parecia competente. Um dia, fizemos a ele uma proposta: “Largue tudo e venha trabalhar no Correio”. Topou! A princípio, alojamos ele no Hotel St. Paul, onde tínhamos permuta, até que pudesse alugar apartamento. Vivia solitário, quase sem conhecer ninguém no DF. Domingo de manhã, algumas vezes, comprava o Estadão e ia para minha casa, lendo calmamente a enorme edição à beira da piscina. Mas fugia antes do almoço, para não dar trabalho. Era muito educado.
Em pouco tempo, se tornou ótimo repórter de política e de Palácio do Planalto. Acabou casando-se em Brasília, onde montou uma ONG voltada para crianças. Um dia, resolveu ir embora, de volta a São Paulo, mas nas vezes em que nos encontramos demonstrou verdadeiro amor. Grande amigo. Lembro dele como o mais autêntico judeu com quem convivi: de usar aquele chapéu chamado de quipá.
Agora foi embora, levado por um câncer de pâncreas, que não escondeu de ninguém. Fica na história do jornalismo como um cara legal - o que é mais importante do que tudo. Junto com Magno Martins e outros colegas, sinto saudades de um ser humano muito discreto, que aceitou conviver na redação mais maluca e mais barulhenta do mundo. Ele apenas ria. Apenas curtia intimamente nossa alegria.
Que o Deus universal proteja Gilberto Dimenstein”.
Face pernambucana – O que admirava em Gilberto Dimenstein era o seu texto harmônico, primoroso e elegante. Como disse Riella, Dimenstein não era de muita conversa, mas de origem pernambucana se rendia, vez por outra, a uma prosa de redação comigo e com outro ilustre pernambucano, Vamireh Chacon, editorialista do Correio Braziliense, refinado intelectual como Dimenstein. Outra característica dele: um dos repórteres mais bem informados do Congresso. Cobria o Senado e, às vezes, furava o veterano Tarcísio Holanda, o nosso guru, também recentemente falecido. Com o tempo, Dimenstein foi se apaixonando por uma causa nobre: as crianças do Brasil, a defesa do ensino básico e fundamental. Pena que a política acabou perdendo um grande repórter.

Bomba – Conforme antecipei, ontem, no jornal O Poder, a bomba que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em conflito aberto com o presidente Bolsonaro, soprou nos ouvidos de jornalistas em Brasília seria uma possível prisão de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, vereador no Rio. Ele teria provas de que o parlamentar carioca alimenta uma rede de mais de 1 milhão de sites e blogs pelo País pagos pelo Banco do Brasil, para defender o Governo e difundir as chamadas fakes news. Esse grande balaio de sites e blogs foi citado pelo jornalista Lauro Jardim na lista dos que terão seus pagamentos pelos anúncios suspensos pelo Banco do Brasil. O BB, segundo o jornalista, foi forçado a tomar tal decisão em cumprimento à ordem expressa pelo Tribunal de Contas da União. Para se chegar ao número de sites e blogs, a corte de contas teria recorrido às agências de propaganda que trabalham para o BB.

CURTAS
FACA E MACHADO – Sobre a invasão pela Polícia Federal ao seu apartamento, no Rio, Jefferson disse que foi uma tentativa do ministro Alexandre de Moraes de intimidar, constranger e censurar, e mostrou-se disposição para brigar: “Ele, o Alexandre, bateu na porta errada. Se acha que vai me intimidar, está enganado. Para essa briga, já estou com a faca nos dentes e o machado nas mãos. Não é um trapo rasgado da toga dele que vai me calar”, disse, adiantando que o ministro comprou a contenda com o “cara errado”. Roberto Jefferson disse, ainda, que Alexandre de Moraes é um ministro desmoralizado, que não impõe respeito a quem quer que seja. “Um cara que foi advogado do PCC, o maior grupo de meliantes e traficantes do País, não merece respeito. Vai apanhar duramente de mim”, afirmou.
CABO NA FRENTE – Após divulgar a antecipação de feriados de junho para aumentar o isolamento social e tentar conter o avanço do novo coronavírus, o prefeito do Cabo, Lula Cabral (PSB), anunciou, ontem, que permitirá a retomada gradual das atividades econômicas, a partir da próxima quinta-feira. Lula vai autorizar a abertura do shopping, igrejas e academias de ginástica. Diante do anúncio, o Governo do Estado informou, por meio de nota, que “não liberou o comércio ou qualquer outra atividade em municípios do interior ou da Região Metropolitana do Recife. Ainda na nota, informa que tem um plano de retomada da economia, mas os detalhes só serão apresentados na próxima segunda-feira.
COLLOR A LIVE – O ex-presidente Fernando Collor, hoje senador por Alagoas pelo PTB, confirmou, ontem, que participa da live deste blog pelo Instagram da próxima quinta-feira, às 19 horas. Na terça, conforme noticiei ontem será o presidente do Tribunal de Contas da União, o pernambucano José Múcio Monteiro. Uma semana que promete. Ambos há muito tempo não dão entrevistas exclusivas.
Perguntar não ofende: Dá saudade do Recife em que seus prefeitos sempre apareciam na liderança em todos os rankings de avaliação do Datafolha?
Fonte: Blog do Magno Martins.
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