Depois de uma nova peregrinação pelo Estado, arregimentando forças políticas dos mais amplos espectros para reforçar seu projeto de disputar o Governo do Estado pelo União Brasil, Miguel Coelho teve uma longa conversa, ontem, no Recife, com jornalistas, blogueiros e radialistas. Raciocínio lógico e inteligente nas respostas, o prefeito de Petrolina mostrou que está preparado para tamanha empreitada.
Entre um café e outro, contou que, desde setembro, quando assinou, num grande ato no Recife, a ficha de filiação ao DEM, partido está sendo fundido ao PSL para criação da União Brasil, já visitou 35 municípios, participou de mais de 10 reuniões na capital envolvendo, de um lado, formadores de opinião, e de outro, grupos representativos da área econômica social e cultural da capital pernambucana.
Mostrando que tem a melhor proposta para o Estado, tino gerencial e uma obra magnífica, a vitrine do seu Governo no maior colégio eleitoral do Sertão, Miguel consolidou o apoio de 30 prefeitos, dos quais três remanescentes do PSB, partido que está no poder. Com o apoio dos deputados Luciano Bivar e Fernando Filho, candidatos à reeleição para a Câmara Federal, passou a construir uma competitiva chapa para as eleições proporcionais.
“Hoje, já é possível ter a certeza da eleição de três deputados federais e seis estaduais”, disse um aliado que já pertenceu ao PSB e que agora torce fortemente pelo avanço da candidatura de Miguel. No balanço que fez durante o encontro com a Imprensa, o jovem político disse que a junção dos partidos União Brasil e Podemos sua candidatura passa a ter o segundo maior tempo de televisão ao longo da campanha.
Com a aprovação do novo fundo eleitoral, segundo ele, sua aliança hoje já passa a ter os recursos necessários para o financiamento das campanhas majoritária e proporcional dos candidatos que estarão em seu palanque em busca de uma mudança radical no Estado, arrebatando das mãos do PSB o controle do poder.
As notícias boas que sopram a favor de Miguel não param por aí. Em pesquisa interna recebida recentemente, ele já cola em Raquel, dentro da margem de erro, na liderança pela disputa do Governo do Estado. Pelo levantamento, comemorado pelos que torcem e apostam no potencial de Miguel, apresenta o menor índice de rejeição e a maior taxa de desconhecimento. “Em outras palavras, Miguel deve virar o ano com pista pronta para decolar”, arrisca um deputado. Segundo esse mesmo parlamentar, é importante observar que Miguel tem apoio expressivo para deixar a Prefeitura de Petrolina e enfrentar a campanha para governador. Nas pesquisas, vale a ressalva, tem 82% das intenções de votos em Petrolina, enquanto Raquel tem apenas 30% em Caruaru, município que governa, e Geraldo Júlio apenas 24% no Recife.
Sinalizações – Integrante da corrente petista defensora de candidatura própria a governador, o ex-prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque, abriu espaço na sua agenda para receber Miguel Coelho e dele passou a ter a melhor impressão, assim como a prefeita Márcia Conrado, eleita por Duque. Não se constituirá surpresa se o PT contrariar Duque que possa subir no palanque de Miguel, até pelas origens sertanejas e por ter convicção, segundo disse, que o prefeito de Petrolina está preparado para fazer as mudanças que Pernambuco tanto anseia.
Desafios do Estado – Em discurso na sessão de ontem que marcou o encerramento dos trabalhos legislativos no Estado, o deputado Antônio Coelho, líder da bancada de oposição, destacou a importância de a Casa ficar atenta aos temas de interesse do Estado e do povo pernambucano e não apenas se deixar dominar pelos temas nacionais. Segundo o parlamentar, o debate sobre o País é necessário, mas não pode sufocar ou estrangular a discussão sobre os rumos de Pernambuco. “Se vamos debater o Brasil, também devemos debater os desafios de Pernambuco”, destacou.
Estratégias – Aos jornalistas, Miguel comentou que tem nutrido um bom relacionamento com outros nomes da oposição, como a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), e sobre apoio a candidatos à presidência, frisou: "Não queremos ter um palanque de exclusividade". Na avaliação de Miguel Coelho, essa será uma eleição atípica que trará "mudanças à qualidade do debate". "Quando que teve uma eleição estadual com prefeitos protagonizando?", questionou o prefeito referindo-se aos nomes da oposição que encabeçam a disputa, como a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL) e ele próprio. Esse cenário "traz uma percepção diferente para gente definir as estratégias de primeiro e segundo turno", disse.
Sem agressões – O pré-candidato à Presidência pelo Podemos, Sergio Moro, disse que irá debater com Ciro Gomes (PDT) somente se o pedetista abandonar “postura agressiva”. A declaração foi dada durante entrevista ao canal do YouTube, MyNews. “O Ciro, primeiro, tem que largar essa postura dele ofensiva e agressiva para dialogar. Eu me disponho a apresentar o meu projeto como tenho feito”, afirmou. Moro também declarou que não se abstém de discutir, embora seu programa ainda esteja em construção. “Dialogar pressupõe que não haja ofensas e agressões”, destacou.
Ilusão de ótica – O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, abriu o verbo, ontem, contra o ex-presidente Lula. Disse se o petista for eleito em 2022, terá comportamento diferente da campanha eleitoral. “O Lula que estamos vendo hoje é uma ilusão de óptica. Não é esse Lula que vai para campanha, bonzinho, longe da Gleisi Hoffmann, do Zé Dirceu, do Vaccari [João Vaccari Neto]. Ele vai ter que fazer campanha com Lindinho [como Lindbergh Farias foi identificado nas planilhas de delatores da Odebrecht], com a Gleisi. São pessoas que têm rejeição muito grande no País”, afirmou.
CURTAS
DEMISSÃO – "Ele comprometeu a função policial e, assim, seguindo inclusive uma linha de outros agentes públicos que prestem serviço privado de forma ilegal, o posicionamento foi pela demissão", disse o secretário de Defesa Social, Humberto Freire, explicando a exoneração do perito criminal Diego Henrique Leonel de Oliveira Costa, que atuou no Caso Beatriz, menina morta com 42 facadas em 2015, em Petrolina.
AUDIÊNCIA – No dia 5 de dezembro, os pais de Beatriz, Lucinha Mota e Sandro Romilton, começaram uma caminhada de Petrolina, cidade em que ocorreu o crime, no Sertão, para o Recife, para pedir providências sobre o caso. São mais de 700 quilômetros. Ontem, o governador informou que irá receber a família da menina junto com o secretário de Defesa Social e o chefe de Polícia Civil, Nehemias Falcão.
Perguntar não ofende: Na audiência, o que o governador irá oferecer aos pais de Beatriz?
Fonte: Blog do Magno Martins.
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