sexta-feira, 6 de novembro de 2020

"Nenhuma puxada de tapete", diz Carlos sobre não compor com Daniel

 

No dia que o PSL anunciou a candidatura própria à Prefeitura do Recife, ainda em agosto, o deputado federal Daniel Coelho fez um post pouco amistoso em sua rede social sem citar nomes: "O maior erro dos espertos é achar que podem fazer todos de otários". A reação não foi aleatória. Havia, ali, um incômodo latente, que perpassava o cenário da política e respingava em uma amizade antiga: a do deputado com o advogado Carlos Andrade Lima, nome anunciado pelo PSL, naquele dia, como cabeça de chapa. Como coluna cantara a pedra, Carlinhos, como é conhecido, chegou a ser cotado para integrar a vice de Daniel, quando o parlamentar ainda figurava como pré-candidato, em meio a uma articulação silenciosa, que acabou interrompida pelo lançamento da candidatura de Carlos. Daniel, segundo pessoas próximas, dava como certa, ali, a aliança com o PSL e foi pego de surpresa. O assunto, até então, ficara restrito ao bastidor.

Mas, ontem, indagado sobre o tema, Carlos Andrade Lima quebrou o silêncio: "Existia realmente essa possibilidade da união do PSL com o Cidadania. Existia, sim, a possibilidade de Daniel ser lançado e existia também isso, obviamente, de bastidores, sim, de eu ser vice do deputado Daniel Coelho. Isso aí não vou negar". Carlos, que fez as declarações em sabatina da CBN Recife, afasta, no entanto, que tenha havido briga. "Não existiu briga de forma nenhuma. Ainda tenho Daniel na conta de um amigo, além de ser um grande quadro político", pontua. Provocado, devolve: "Não houve nenhuma puxada de tapete. A gente sabe que o campo da direita, e isso vem sendo discutido há algum tempo, não se uniu todo contra o PSB ou contra o PT. Não houve essa grande união". E sublinha: "Eu não era contra essa união". Na esteira, Carlos questiona: "Só que em torno de quem seria?". E adverte: "Todo mundo queria essa união desde que ele próprio fosse candidato". E  conclui: "Isso inviabilizou, na verdade, esse chamado bloco grande de direita para disputar as eleições". 

Motivos do PSL
Ainda no bojo da decisão do PSL a recuar de indicá-lo como vice de Daniel Coelho , Carlos Andrade Lima enumera os motivos: "O presidente Luciano Bivar entendeu que um partido, que se tornou tão grande nacionalmente, precisa criar quadros na cidade onde nasceu".

Raízes> “Tirando o presidente Luciano, que é uma referência nacional, a gente não tinha outros quadros dentro do PSL. A gente não tinha um vereador, não tinha uma possibilidade futura", explica Carlos e realça: “Nós temos uma chapa com 59 candidatos a vereador, que também se beneficia da candidatura majoritária”.

Profetas > O deputado federal Tadeu Alencar, que vem acompanhando de perto as movimentações da disputa no Recife, observa que "a lógica da eleição, às vezes, subverte o esquema tático". Em outras palavras, detalha: "A oposição esperava impedir - por intimidação - a candidatura de João. Ele foi candidato. Esperava-se que fosse um candidato frágil, ele se revela um candidato competitivo. Esperava-se um candidato contra o qual todos se uniriam no 2º turno e a Oposição se fragmenta a olhos vistos". 

À risca > Tadeu Alencar diz que o planejamento da Frente Popular "está sendo cumprido à risca". E vaticina: "Vamos ganhar no 2º turno ou no 1º turno, porque o Recife quer o melhor".

Livemício >  Diante da resolução do TRE-PE que proíbe aglomerações na campanha, o prefeito de Camocim de São Félix, Giorgio de Neno, candidato à reeleição, promoveu, ontem, um comício via live. Montou estrutura, com decoração, chão adesivado, bolas e alguns convidados para transmitir pela Internet. Quem testemunhou a inovação de perto foi o deputado André Ferreira.

Fonte:  Folha de PE.

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