sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Após reação de Ciro, presidente do PDT trabalha por votos contra a PEC dos Precatórios

 

 (Foto: Evaristo Sa/AFP
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Foto: Evaristo Sa/AFP
A votação da PEC dos precatórios na noite de quarta-feira (3) gerou problemas internos para o PDT, que viu o seu pré-candidato à presidência, Ciro Gomes, suspender o projeto de disputa ao Palácio do Planalto devido ao posicionamento adotado pela bancada na votação.  
 
Em sua conta do Twitter, Ciro anunciou a suspensão da pré-candidatura afirmando que “Há momentos em que a vida nos traz surpresas fortemente negativas e nos coloca graves desafios. É o que sinto, neste momento, ao deparar-me com a decisão de parte substantiva da bancada do PDT de apoiar a famigerada PEC dos Precatórios".

O deputado e líder do PDT na Câmara dos Deputados, Wolney Queiroz (PDT-PE), orientou os parlamentares a seguir o direcionamento articulado pelo presidente da casa, Arthur Lira (PP-PI), para apoiar o projeto do governo, aprovado em votação apertada, com apenas 4 votos a mais que o mínimo necessário para a aprovação. 

De acordo com o deputado federal Túlio Gadêlha (PDT-PE), Wolney Queiroz “foi transparente” ao tentar convencer a bancada a votar unida a favor da proposta, por influência de Arthur Lira, mas seis parlamentares (ele incluso) decidiram contrariar a orientação e votaram contra a PEC por acreditar que ela fere os princípios básicos do PDT, que tem a defesa da educação como valor. 

“A PEC [dos precatórios] prejudica a educação, parcela em três anos uma dívida transitada em julgado com professores e servidores que deveria ser paga integralmente até o final de 2022. Foi colocado que esses R$ 9,6 bilhões [economizados] serviriam para o Auxílio Brasil, mas a necessidade de orçamento do programa é R$ 50 bilhões”, disse o deputado.

Gadêlha explica ainda que parte do orçamento excedente vai para emendas de relator, ou seja, recursos que os deputados podem destinar a projetos em seus estados de origem, e que a distribuição desse dinheiro foi acordada por alguns parlamentares com [Arthur] Lira, “mas é muito ruim tirar recursos de dívidas públicas já transitadas em julgado [e destinar] para emendas parlamentares”.  

Ao Diario de Pernambuco, Túlio afirmou que ainda não conversou com Wolney Queiroz, nem com o presidente do PDT, Carlos Lupi, após Ciro Gomes anunciar a suspensão de sua pré-candidatura. Entretanto, o pernambucano afirma que a reação de Ciro foi muito firme e também coerente com seus posicionamentos sobre o tema: “Ciro tomou uma decisão correta ao se posicionar contra [A PEC], uma decisão firme de que não vai compactuar”. 

A segunda votação da PEC dos Precatórios deve ser realizada na próxima terça-feira, dia 9, e será decisiva para a manutenção (ou não) da candidatura de Ciro Gomes. De acordo com Túlio Gadêlha, o PDT deverá se reunir na segunda-feira (8) para discutir a orientação para a última votação da PEC. 

“Eu acredito que boa parte desses votos vão ser revertidos. Dos 15, mais do que metade vão render esse voto. Na primeira [votação] o partido orientou a favor, mas creio que na próxima a orientação vai mudar”, afirmou Túlio. Apesar de acreditar que o PDT orientará a bancada a votar contra a PEC, o deputado alega que “Existem acordos bilaterais, Arthur Lira conversa individualmente com alguns parlamentares”.

Um reportagem do jornal O Estado de São Paulo traz falas do deputado Paulo Ramos (PDT-RJ) afirmando que houve uma reunião de bancada às 18h30 de quarta-feira (3) para informar sobre a orientação do voto, com a presença de todos os deputados cearenses. 

"Não acredito que eles não tenham conversado com o Ciro Gomes, porque se eles fizeram isso é muito mais condenável”, passando a impressão de que tudo estava articulado com o Ciro e com a cúpula do partido. “Como a bancada do Ceará estava apoiando toda a articulação com o Arthur Lira, obviamente passou pela minha cabeça de todo mundo que o Ciro Gomes tinha ciência", disse o deputado.

Carlos Lupi, presidente do partido, também teria sido informado sobre o posicionamento a ser seguido para apoiar a posição de Wolney Queiroz. Lupi afirmou, por meio do Twitter, que acionará o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a manobra de Lira que permitiu a votação remota (a Câmara retomou as atividades presenciais). 

Em entrevista ao canal de TV CNN Brasil, Lupi defendeu o posicionamento de Ciro, afirmando que ele sempre teve uma postura muito dura em relação à PEC dos Precatórios e que o PDT defende a educação, mas a questão é ainda mais grave, pois significa “um calote” e dar “um cheque em branco para um governo que não tem qualificação para executar esse dinheiro”.  

No que diz respeito à orientação de voto da bancada, Lupi afirmou que até terça-feira estará conversando com os membros do partido para alinhamento dos votos, e trabalhará para construir a unidade em torno do voto contrário à PEC dos Precatórios. 

“Temos até terça-feira para conversar. Tô fazendo isso um a um, para esclarecer nosso posicionamento para que até terça-feira a gente tenha uma unidade contrária a essa PEC. É o que eu tô trabalhando, é o que eu estou me empenhando e farei com muito esforço e convicção. Não dizendo que o método que eles botaram não seja correto, mas dizendo que esse benefício é um cheque em branco para um governo despreparado e corrupto”. 

Procurados para se pronunciar sobre o assunto, o presidente do PDT, Carlos Lupi e o deputado pernambucano que lidera a bacada do partido na Câmara, Wolney Queiroz, não responderam aos pedidos de entrevista realizados por esta repórter, sequer atenderam às ligações. A assessoria de imprensa de Ciro Gomes também não respondeu às tentativas de contato.

Toda essa movimentação leva alguns parlamentares a classificarem a atitude de Ciro Gomes como “desmedida”, e o ambiente se torna fértil para questionamentos sobre sua permanência na sigla. Até o momento, a saída mais fortemente especulada é a de Túlio Gadêlha, que há algum tempo já vem criticando posturas adotadas pelo partido, além de ser cortejado por outras siglas. 

“Me filiei há 15 anos e meu único partido foi o PDT. Se estou contrário às decisões, é porque estou indo de acordo com o estatuto. O partido vem errando há 27 anos. As críticas não são de hoje porque os erros também não são”, disse o parlamentar, que também não chegou a conversar recentemente com Ciro Gomes, embora alegue que ambos se respeitam, mas “faz tempo que a gente não se fala”. 
Drop here!

Fonte: Por: Lara Tôrres.

Diário de PE.


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