
A troca de comando no Ministério da Saúde de nada vai adiantar se o novo titular da pasta, Marcelo Queiroga, agir como o antecessor, Eduardo Pazuello, servindo de fantoche do presidente da República. Médico, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Queiroga precisa ter o que nenhum dos outros três ocupantes anteriores do cargo teve: autonomia para, regido pela ciência, traçar um cronograma de ações que amplie a vacinação e reduza o avanço do coronavírus.
Mas, pelo menos nas declarações, o novo ministro já começou errado. Apesar de ter recomendado o uso de máscara, o que o chefe não costuma a fazer, ele não se comprometeu com rupturas das bandeiras do presidente Bolsonaro, como orientação de uso da cloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra o coronavírus. E o pior: não defendeu o isolamento social.
Ou seja, daí para estar contestando a eficácia das vacinas é um pulo. Ao que parece, Marcelo Queiroga entra no governo para seguir a cartilha bolsonarista e falar para aquela minoria de aficionados nas idiotices que a tropa do presidente propaga. Se realmente fizer isso, o titular da Saúde vai jogar no ralo a sua respeitada biografia.
“A política é do Governo Bolsonaro, não do ministro da Saúde. O ministro executa a política do governo”, falou Marcelo Queiroga, em entrevista, deixando claro que vai seguir o comando do capitão. Portanto, estranho seria se esperássemos algo diferente de um gestor escolhido por uma pessoa como Bolsonaro, que só aceita quem pensa como ele. As cenas dos próximos capítulos nós já sabemos. Vamos ver um presidente vociferando asneiras sem nenhuma base científica e um ministro totalmente adestrado balançando o rabo para o dono.
CÚMULO DA IRRACIONALIDADE – Que a deputada estadual Clarissa Tércio, filha do poderoso pastor Francisco Tércio, gosta de uma polêmica, ninguém tinha dúvida. Mas, desta vez, a parlamentar de primeiro mandato se superou ao apresentar, na Assembleia Legislativa, um projeto de lei proibindo a obrigatoriedade da vacina contra o coronavírus em Pernambuco. Para a deputada, deve ser irrelevante a morte de 282.400 brasileiros por Covid-19 em um ano de pandemia. Será que a maior parte da população concorda?
INCOMPETÊNCIA – Se a posição defendida pela deputada Clarissa Tércio é uma imbecilidade, no caso das prefeituras de Jaboatão dos Guararapes e de Olinda a questão é mais de incompetência mesmo. E das grandes! As gestões de Anderson Ferreira e Professor Lupércio estão deixando a desejar no combate à pandemia. Desorganização na hora da vacina e ausência de fiscalização fazem as cidades levarem um banho do Recife de João Campos no quesito eficiência.
REZA – Por falar no Recife, o vereador Marco Aurélio Filho (PRTB), filho do deputado estadual Marco Aurélio Meu Amigo, ferrenho oposicionista do PSB, fez elogios à forma como tem sido enfrentado a pandemia do coronavírus no Recife e do papel desempenhado pela Câmara Municipal, que aprovou propostas da prefeitura como a criação do Auxílio Municipal Emergencial (AME) e a autorização para a compra direta de vacinas. O parlamentar fez ainda um apelo para que academias e profissionais de educação física sejam contemplados como serviços essenciais. Esse santo quer reza!
TRANSPARENTE – Surubim é o terceiro município mais transparente de Pernambuco. Quem disse foi a Controladoria Geral da União (CGU) em ranking divulgado recentemente. A cidade governada pela prefeita Ana Célia obteve nota 9.43, acima da média nacional. O resultado reflete o compromisso da gestão com a coisa pública. Surubim ficou atrás apenas de Bezerros e do Recife. Serra Talhada aparece em quinto lugar no ranking. O mérito aí é do governo do ex-prefeito Luciano Duque.
O povo quer saber: O novo lockdown em Pernambuco dura só 11 dias mesmo?
Por Fernanda Maria Negromonte, Cientista Política com ênfase em Relações Internacionais pela UFPE, membro da Equipe FalaPE.
Fonte : FalaPE.
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