sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Entre prejuízo ou lucro, Oposição ainda aguarda efeito Bolsonaro

O movimento do presidente Jair Bolsonaro de declarar apoio à candidata do Podemos à Prefeitura do Recife, delegada Patrícia Domingos, divide opiniões no bloco das Oposições. Em um primeiro momento, se deu uma leitura de que o aceno poderia segurar as intenções de voto dela, que vinha desidratando, e ao mesmo tempo  estancar uma migração de votos para Mendonça Filho, que, até então, figura em empate técnico com Marília Arraes, com quem briga mais de perto por uma vaga no 2º turno. Nesse caso, a petista poderia acabar beneficiada, enquanto os nomes do campo da direita estariam duelando entre si. Mesmo na campanha do democrata, ainda não se faz uma leitura muito nítida do efeito que o gesto do chefe do Planalto, nos 45 minutos do 2º tempo, terá. Em outra ala do mesmo conjunto, há quem argumente que o eleitorado do presidente é conservador, o que o fará votar, de toda forma, para impedir um 2º turno entre duas candidaturas de esquerda.

Leia-se: na iminência de um embate entre João Campos e Marília, esse eleitor bolsonarista optaria, segundo essa tese, por quem estiver mais encostado na petista, seja a delegada, seja o democrata. De acordo com a última pesquisa Folha/Ipespe, divulgada na última segunda, o socialista lidera com 31%, a petista tem 22%, Mendonça, 16%, empatado tecnicamente com Patrícia, que contabiliza 13%. Nesse cenário, há já quem recorra a episódios de eleições passadas para assegurar que o voto útil beneficiará, necessariamente, um dos nomes da direita. Faz-se uma comparação com 2012, quando Daniel Coelho, hoje apoiando Patrícia, obteve 27,65% das intenções de voto, figurando à frente de Humberto Costa (17,43%) e de Mendonça Filho (2,25%). Mas Geraldo Julio liquidou a fatura no 1º turno, com 51,15%. "Isso aconteceu com Daniel e o próprio Mendonça", compara um oposicionista, em reserva, à coluna. E, aí, cita o movimento de 2016, quando Daniel Coelho terminou com 18,59% e Priscila Krause, com 5,43%. "Na última semana, Priscila caiu de 8% para 5% e Daniel cresceu", relata a mesma fonte. Naquele ano, a migração não foi suficiente para impedir um 2º turno entre PSB e PT, protagonizado por Geraldo Julio, que terminou o 1º turno com 49,34%, e João Paulo, que obteve 23,76%. A conferir.

Cheiro de 2022
Das cinco maiores cidades do Estado, três sinalizam para expressivos resultados nas urnas de prefeitos da Oposição: Anderson Ferreira (Jaboatão), Miguel Coelho (Petrolina) e Raquel Lyra (Caruaru). Isso pode te reflexo em cidades vizinhas e já deixa um esboço para 2022. Há, entre oposicionistas, quem aposte que o prefeito Professor Lupércio (Olinda), que não conseguiu garantir o apoio do PSB, pode ampliar esse "exército". 

Comunhão > Em Gravatá, a candidatura de um nome novo na política tem gerado um sentimento de comunhão na cidade, a ponto de ter provocado a unidade de deputados que teriam, originalmente, projetos majoritários distintos por lá: André Ferreira e Waldemar Borges. Trata-se do Padre Joselito, candidato à Prefeitura pelo PSB.

Altar > Conselheiro tutelar, ele largou batina há alguns anos para se casar e foi personagem, inclusive, de matéria do Fantástico por conta da história. O outro detalhe curioso nesse enredo: comenta-se, na cidade, que o melhor prefeito que Gravatá já teve foi um padre, o que também estaria gerando uma onda de aceitação em torno de Joselito, que tem surpreendido os próprios aliados.

Afago > Circula na Frente Popular que o engajamento dos candidatos proporcionais anda abaixo do esperado. Há sinais de insatisfação externados pelos candidatos a vereador, que pedem para serem ouvidos e lamentam distanciamento da majoritária.

Fonte: Folha de PE.

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