sábado, 14 de novembro de 2020

Cenário adverso para o PSB

 

No Brasil, eleição em intervalo de dois anos condiciona uma a outra. Se o PSB perder a Prefeitura do Recife, por exemplo, abre-se o caminho pavimentado para uma segunda derrota, desta feita em 2022. Este é um cenário que não está descartado, segundo uma penca de analistas políticos ouvidos pelo blog. Na visão deles, o PSB se fragiliza não apenas pela perda da capital, mas de colégios eleitorais igualmente importantes.

De largada, no cinturão da Região Metropolitana, onde está concentrado o grosso do eleitorado, além do Recife, o PSB perde Paulista,  até hoje sob o comando socialista; Olinda, cidade que abriu mão de manter apoio ao prefeito Professor Lupércio; Cabo, que ainda é uma indefinição; Igarassu, que se mantém com o grupo de Armando Monteiro, e Jaboatão, segundo maior colégio eleitoral do Estado, cujo prefeito Anderson Ferreira, do PP, tem chances reais de ser reeleito logo no primeiro turno.

Adentrando para a Zona da Mata, o Governo tende a perder em Palmares, principal colégio eleitoral da Mata Sul. No Agreste, é dada como certa a reeleição da prefeita Raquel Lyra, de Caruaru. Se as pesquisas forem confirmadas, Raquel tende a ser uma das mais votadas no Estado, criando couro grosso para entrar numa disputa majoritária em 22. Bem próximo a Caruaru, Bezerros corre risco de sair do controle do PSB, conforme pesquisa postada ontem neste blog.

No Sertão, além de não ter a menor chance em Petrolina, cujo prefeito Miguel Coelho (MDB) é apontado como campeão nacional de voto, o PSB corre risco de perder a Prefeitura de Arcoverde para Zeca Cavalcanti, do PTB. Cenário também adverso para o Governo com vistas às pretensões de 22 é Serra Talhada. Ali, a candidata do prefeito petista Luciano Duque abriu uma vantagem de 37 pontos, algo quase que impossível de se reverter.

Já no Agreste Meridional, Garanhuns desponta como deserto de votos para o PSB. O prefeito Izaías Régis, ligado a Armando Monteiro Neto, dificilmente deixará de eleger o sucessor Silvino Duarte, do PTB, que abriu uma vantagem de 15 pontos em relação ao socialista Sivaldo Albino. O PSB tem dificuldades ainda em Lajedo, São Bento do Una. Confirmando-se essas tendências, com Recife no colo da oposição, cai por terra a pretensão do prefeito Geraldo Júlio de disputar o Governo do Estado.

Derrotados – Se em Caruaru a prefeita Raquel Lyra confirmar a tendência das pesquisas aniquilará com uma só cajadada seus dois principais grupos adversários, o de José Queiroz, do PDT, e o de Tony   Gel, do MDB. Nem Queiroz nem Gel fizeram campanha pelo aliado Marcelo Gomes, candidato escolhido de última hora para enfrentar Raquel num quadro extremamente adverso. As aparições de Gel e Queiroz se restringiram ao guia eleitoral de Marcelo, que deve sair das urnas com desempenho pífio.

Sem a Igreja – Em Gravatá, um padre aventureiro impediu a divulgação da pesquisa do Opinião em parceria com este blog. É o mesmo oportunista, que não une sequer a Igreja Católica, de onde abandonou a batina deslumbrado com a vida mundana. O primeiro a divergir do seu projeto de disputar a Prefeitura foi o padre Humberto. Além de afirmar que não ia embarcar numa aventura, gravou um vídeo para as redes sociais manifestando apoio à reeleição do prefeito Joaquim Neto, do PSDB.

Efeito bumerangue – Em Floresta, o apoio por debaixo dos panos do secretário de Turismo, Rodrigo Novaes, ao candidato chapa branca Favinho Ferraz, provocou um efeito contrário. O candidato do prefeito mais rejeitado do Estado despencou nas pesquisas. Quem deve ser eleita é a ex-prefeita Rorró Maniçoba, candidata do PSB. O secretário turista deve sofrer outros tombos eleitorais na região, complicando seu projeto de reeleição para a Assembleia Legislativa em 22.

Os escondidos – O candidato do PSB a prefeito do Recife, João Campos, encerrou sua campanha de primeiro turno no rádio e na televisão da mesma forma que começou: escondendo seus dois principais aliados, o governador Paulo Câmara e o prefeito do Recife, Geraldo Júlio. A razão é muito simples de explicar. Câmara é o governador mais rejeitado do País e o prefeito recifense tem nada menos do que 60% de rejeição, o mais desaprovado entre todos os que chegaram ao final do segundo mandato. E olha que Geraldo, achando-se a Brastemp do Nordeste, queria carregar João em seu andor.

CURTAS

ARREPENDIDO – Soube ontem por uma fonte confiante do Planalto que o presidente Bolsonaro se arrependeu tremendamente pelo apoio declarado em favor da candidata do Podemos à Prefeitura do Recife, Patrícia Domingos. Segundo essa mesma fonte, o maior desapontamento do capitão está no campo ideológico. A delegada nunca assumiu que é conservadora, de direita.

PROGRAMA – Amanhã, dia de ir às urnas, estarei ancorando o programa especial da marcha das eleições da Rede Nordeste de Rádio diretamente dos estádios da Hits 103,1 FM, a partir das 17 horas. Na análise, o marqueteiro José Nivaldo Júnior, o jornalista Ângelo Castelo Branco e o cientista político Roberto Santos. Imperdível!

Perguntar não ofende: Quem vai para o segundo turno no Recife?

Fonte: Blog do Magno Martins.

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