quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Ao declarar apoios, Bolsonaro tem desafio de não dividir derrotas

 

A observação é feita pelos próprios aliados do presidente Jair Bolsonaro nos bastidores. Após ele declarar apoio, no Recife, à delegada Patrícia Domingos, membros de partidos que têm canal aberto com seu governo advertem que o presidente chegou às eleições com aprovação boa, capitalizado, em boa parte, pelo auxílio emergencial, traduzido na classe política como "dinheiro na veia", em socorro à população em meio à pandemia. Essa variável, inclusive, somou para modificar a relação do chefe do Planalto com o Nordeste. Um parlamentar com trânsisto no Governo Federal, atento às movimentações, alerta, em reserva, que "o presidente pode sair da disputa municipal menor do que entrou" e emenda: "porque a sinalização para os candidatos dele não é boa". O deputado se refere a exemplos como os do Rio de Janeiro, onde Marcelo Crivella enfrenta dificuldades, a despeito do apoio de Bolsonaro, e de São Paulo, onde Celso Russomano, de relação pessoal com Bolsonaro, desidrata. Apesar de esses candidatos, entre outros situados nas 10 maiores capitais, não liderarem pesquisas, o presidente gravou vídeos e colou sua imagem neles.

Ontem, em entrevista à CBN Recife, Bolsonaro sublinhou o seguinte: "Eu tenho não mais do que sete candidatos pelo Brasil e, assim mesmo, a campanha que estou fazendo para eles é bastante discreta, nas mídias sociais, através de live". E acrescentou: "Não vou comparecer a nenhum município para fazer campanha para esses nossos candidatos à prefeituras". No Recife, o presidente declarou apoio à delegada Patrícia Domingos, que mira o voto útil para chegar ao 2º turno. Segundo pesquisa Folha/Ipespe, divulgada anteontem, Patrícia Domingos tem 13% das intenções de voto, estando tecnicamente empatada com Mendonça Filho (16%). O democrata, por sua vez, tem a sua frente Marília Arraes (22%) e João Campos (31%). O presidente, ainda à CBN Recife, observou: "O que ouvi do Recife é que tem tudo para que, no 2º turno, passem dois candidatos de esquerda". Então,ele sugere que seu eleitor vote, agora, em Patrícia "para que tenhamos um 2º turno entre um candidato de esquerda e um de direita". Como não há garantias, o risco, dizem aliados, é o presidente acabar tendo que "dividir derrotas".

Tecla SAP
Indagada se ainda há clima para buscar o apoio, em eventual 2º turno, de Mendonça Filho e de Alberto Feitosa, Patrícia Domingos, que pediu, em live com Bolsonaro, "união da direita e da centro-direita", explicou o seguinte: "Quando falo em união da direita e da centro-direita, eu falo dos eleitores". E acrescentou: "É esse apoio que a gente quer, o apoio do povo".

Cronômetro 1> Os fatos novos gerados por candidatos à Prefeitura do Recife em meio à campanha, levaram, em média, 10 dias para darem resultados em pesquisas. São exemplos os casos de Marília Arraes, quando passou a intensificar a presença de Lula em sua propaganda, e de Mendonça Filho, quando levou as postagens da delegada Patrícia Domingos ao guia eleitoral.

Cronômetro 2 > Como a declaração de apoio do presidente Jair Bolsonaro foi feita à Patrícia Domingos no último sábado, a candidata terá só uma semana para massificar essa informação. 

Termômetro > Durante o debate, promovido pela TV Jornal ontem, Marília Arraes evitou o enfrentamento com Patrícia Domingos 
e provocou João Campos, que não poupou o PT, ainda aliado da gestão Paulo Câmara, e devolveu: "É de causar estranheza uma candidata do PT falar de corrupção!". Alberto Feitosa, por sua vez, mirou Patrícia Domingos, cujos aliados chegaram a sondar a chance de o PSC apoiá-la ainda no 1º turno, após movimento de Bolsonaro.

Fonte: Folha de PE.

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