A tese de múltiplas candidaturas já teve mais eco nas hostes oposicionistas. Mas a defesa da unidade passou a prevalecer. Uma fala do senador Fernando Bezerra Coelho, feita ainda no final de dezembro, realçando o nome de Raul Henry para concorrer à Prefeitura do Recife, gerou reação na ala da Oposição e o ex-senador Armando Monteiro Neto chegou a assinar nota, argumentando o seguinte: "Falar de nome, agora, é um desserviço tanto para a oposição, quanto para o Recife. O que deve unir a oposição é a discussão de um projeto". Ontem, FBC, em entrevista à rádio local, voltou a falar em candidatura de Henry, assinalando: "Raul me autorizou a prosseguir com conversas com outras forças". Dessa vez, o impacto da fala do líder do governo Bolsonaro no Senado foi menor entre os pares.
Em reserva, à coluna, um oposicionista avaliou assim: "A fala de hoje foi mais educada. Ele (FBC), legitimamente, defende isso. Não vejo problema". Ao mesmo tempo, no entanto, a fonte observa que essa defesa de Henry expõe fragilidades da Oposição. Entre elas, a necessidade de uma definição do emedebista se estará alinhado ao grupo, uma vez que o governo já tem João Campos como candidato. Além disso, questiona-se se Henry estaria sendo colocado como candidato do MDB apenas ou no sentido de ir além e agregar os demais partidos.
Há, em paralelo, quem veja Fernando "aprofundando a ferida" ao apostar numa "tese divisionista no lugar de costurar e aparar arestas". Daniel Coelho contemporiza e defende que a fala de FBC "não altera nada". Acrescenta: "O importante é, depois, unir. Não tem sentido defender a divisão. A gente tem que defender a unidade. Não tem sentido dividir nossas forças". Daniel classifica opiniões, a exemplo da externada por FBC, como "legítimas", mas adverte que o importante é que, passado o prazo de filiação, "a gente tenha unidade". Na avaliação dele, "três candidaturas no campo da oposição só fortalecem o adversário". Daniel, então, resume: "Temos que construir unidade, não temos que construir divisão".
Muito bem-vindo
Caso Raul Henry decida deixar a base do governo, não haverá restrições ao nome dele nas hostes oposicionistas. Ao menos, Daniel Coelho diz o seguinte: "Se ele quiser entrar, será muito bem-vindo, tem excelente relação comigo e com vários integrantes".
Só observo> Daniel realça que Henry é "muito bem-vindo no palanque da Oposição, mas é uma decisão que ele vai ter que tomar". E emenda: " Até o instante, não sinalizaram. Fernando lançou e Raul não fez movimento. Se fizer, estará sentado à mesa".
Fura fila > Outrora, se dizia na Oposição que o nome de Henry enfrentaria alguma barreira uma vez que ele estaria na base do governo e teria que "entrar na fila". Agora, no entanto, outros nomes, além de Daniel, priorizam "o mínimo de coesão" para se lançarem e mostram-se capazes de abrir mão.
Não se meta> Não passou batida, no Recife, a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que não vai “se meter” no pleito municipal, caso o Aliança pelo Brasil não tenha candidato. Há quem lembre que tinha oposicionista pensando em correr em faixa própria com apoio do presidente.
Cuscuz com política > Lançado anteontem pelos jornalistas Felipe Salgado, Elielson Lima e Márcio Didier, o podcast Cuscuz com Política faz uma radiografia dos municípios pernambucanos que poderão ter segundo turno. O programa pode ser encontrado nas plataformas de streaming, como o Spotify e YouTube.
Fonte: Folha de PE.

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