segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

O Coronel Danulo

 

O coronelismo é um fenômeno da política brasileira ocorrido durante a Primeira República. Os coronéis detinham o poder econômico e exerciam o poder por meio da violência e trocas de favores. O fenômeno foi tão presente que se confunde com outros termos relacionados hoje, tais como mandonismo e clientelismo.

Em Pernambuco, o maior deles, Chico Heráclio, reinou absoluto em Limoeiro, com forte prolongamento em Surubim, terra do deputado federal Danilo Cabral, escolhido pelo PSB para disputar a sucessão de Paulo Câmara e que parece ter herdado o lado perverso de Chico Heráclio.

Danilo é visto e tratado em sua terra como "coronel do asfalto", um coronel "contemporâneo", para ser mais preciso. Nem mesmo os aliados escondem esse lado carrasco dele. "Arrogante, não dá valor aos aliados que pedem voto para ele e não faz nenhum tipo de favor", diz um vereador do seu grupo, que pediu anonimato pelas circunstâncias naturais.

O coronel Chico Heráclio mandou na cidade do Limoeiro e afirmava que as eleições em sua cidade "tinham que ser feitas por mim". Danilo não está longe disso. Num pleito, já ficou no palanque contrário para derrotar a prefeita Ana Célia, aliada atual, parente bem próxima, candidata a vice-prefeita na época.

Quando esteve próximo de ser indicado pela primeira vez para disputar o Palácio das Princesas, em 2014, Danilo ganhou a alcunha de coronel por dois dos seus maiores inimigos e que tinham forte influência junto ao ex-governador Eduardo Campos: Guilherme Uchôa e Ettore Labanca. Foi a dupla, aliás, que removeu Eduardo da ideia de escolher Danilo no lugar de Paulo Câmara. Uchôa juntou 10 prefeitos e alguns deputados e chegou sem avisar ao gabinete de Eduardo.

Ao ser recebido, poucos dias antes de Eduardo anunciar quem seria o candidato a governador, Guilherme Uchôa deu seu grito de liberdade. "Tudo, governador, menos o "Coronel Danulo". Maior inimigo de Danilo, Uchôa usou a terminação nulo para associá-lo a nulidade", alegando que, quando secretário de Educação, não atendia deputado, prefeito, vereador, nenhum tipo de político. "O Danulo é uma nulidade para nós, com ele não vamos", protestou o ex-presidente da Alepe sob os olhares de aprovação de Labanca.

Poucos dias depois, o mundo político foi surpreendido com o anúncio de Paulo Câmara, então secretário da Fazenda, para disputar o Governo. Danilo, ou Danulo, disputava com ele e mais Tadeu Alencar. Adversário de Danulo e da prefeita Ana Célia, o vereador Doutor Vavá (Republicanos) diz que o deputado não tem relação com a cidade. "Nem casa ele tem em Surubim. Nada se conhece aqui do que fez pela cidade, além da sede do Ciretran, quando secretário de Cidades, e da Escola Técnica, que não foi obra sua, estava no projeto de Eduardo", diz Vavá. 

Segundo ele, Danulo estava com a reeleição ameaçada. "Até Matias e Vaguinho, vereadores do seu grupo, não iriam votar nele, mas em Ricardo Teobaldo", acrescenta Vavá. "O simpático da família é Nilton Mota, primo dele. Danilo não atende telefone e nunca aparece na cidade. Quando vem, volta no mesmo dia", diz Vavá. 

Na época de Chico Heráclio, aos olhos da população local, ser coronel era equivalente a ter um título nobiliárquico e passou a legitimar muitas das ações dos chefes locais. Esses homens distribuíam benefícios, patrocinavam a festa do santo local, eram padrinhos de inúmeras crianças que nascessem em suas terras e dava reses aos vaqueiros mais destacados. 

Assim, estabeleciam uma relação de dependência e temor com os empregados, chamada clientelismo. O "Coronel Danulo" não chega a tanto, mas tem assustado a tropa de plantão para levar o PSB a continuar reinando em Pernambuco.

O trapalhão - Sábado passado, menos de 24 após se antecipar ao governador Paulo Câmara e confirmar a candidatura de Danilo, ou Danulo, segundo Uchôa, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, apagou a postagem em suas redes sociais. Ao blog, se mostrou surpreso e culpou a equipe que faz as edições. Mas não foi bem isso. Na verdade, o poder subiu à cabeça e Siqueira quis ser mais importante que o governador na hierarquia. Levou um chega pra lá. 

Chapa adiada - Diante do bola fora Siqueira, o governador foi aconselhado a confirmar "Danulo" de imediato, o que deve fazer hoje ou, no mais tardar, até quarta-feira. A confirmação virá sem a chapa completa, porque as indicações para senador e vice viraram uma guerra interna da Frente Popular travada em silêncio, especialmente a vaga de senador. Todo mundo quer, até mesmo Luciana Santos, atual vice-governadora, entrou na batalha. 

Imagem constrangedora - O nome de "Danulo", na verdade, só veio a ser confirmado de forma açodada, através de uma foto em Palácio, sexta-feira passada, na qual todos os personagens, principalmente o prefeito João Campos, não conseguiram esconder a cara de constrangimento. Tudo porque, conforme o blog antecipou, o ungido para a disputa chegou a defender o nome de Marília Arraes (PT) para o Senado, provocando a ira da Família Real.  

Sinal de entendimento? - Emissários de Raquel Lyra e Miguel Coelho, pré-candidatos a governador pelo PSDB e União Brasil, respectivamente, têm dado prosseguimento às tratativas do último encontro na semana passada, no qual se criou uma grande expectativa em relação a um entendimento entre os dois principais candidatos da oposição. Quem vai abrir para quem, eis o grande problema sem solução pelo menos até o final da primeira quinzena do próximo mês. 

Autonomia em xeque - Raquel Lyra, pré-candidata tucana ao Palácio do Campo das Princesas, tem criado uma grande expectativa no fechamento da sua chapa com o prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL), na disputa pelo Senado. Anderson voltou de Brasília com os poderes renovados como presidente estadual dos liberais. Resta saber, no entanto, até onde vai sua autonomia a ponto de ser candidato a senador sem poder em seu palanque pedir voto para a reeleição de Bolsonaro, donatário da capitania Partido Liberal. 

CURTAS

AUXÍLIO - Para os comerciantes que dependem das vendas na faixa de areia da orla de Boa Viagem e do Pina, o verão de 2022 ainda não deu retorno financeiro. Nos últimos meses, além do fator climático, com o registro de dias mais chuvosos, o faturamento não foi mais o mesmo. Além disso, os barraqueiros esperam, desde julho do ano passado, o auxílio emergencial prometido pelo Governo para compensar parte dos prejuízos.

VANDALISMO - Moradores de Limoeiro, no Agreste, estão sem água por causa de uma ação de vândalos. De acordo com a Compesa, 50 mil pessoas foram prejudicadas. O abastecimento deve ser retomado, de forma gradual, a partir da próxima quarta-feira. Funcionários da companhia informaram que encontraram a Estação Elevatória 2, integrante do Sistema Limoeiro, com pneus queimados. 

Perguntar não ofende: Na Frente Popular, quem vai vencer a queda de braço para o Senado?

Fonte: Blog do Magno Martins.

Nenhum comentário:

Postar um comentário