O ingresso do deputado federal Marcelo Freixo no PSB é visto, nas hostes socialistas, como o “embrião” de uma frente ampla que pode transbordar, do Rio de Janeiro, para outros estados e até mesmo para uma construção nacional. Faz-se uma conta, entre lideranças da esquerda, de que o projeto majoritário de Freixo no Estado berço do presidente Jair Bolsonaro guarda simbolismo muito forte, podendo representar o fio condutor da unidade da esquerda com o centro rumo a 2022. Socialistas estão atentos ao fato de que Freixo, em entrevista recente à Revista Veja, não só citou posição de Rodrigo Maia favorável a sua candidatura como acenou ao tucanato, ao ser questionado se o PSDB estaria incluído nessa frente e se o apoio de Fernando Henrique Cardoso seria bem-vindo. Ao responder, Freixo devolveu: “Claro, é fundamental”. O parlamentar afirmou ainda que “FHC e Lula estão juntos, agora, unindo forças para garantir a Constituição de 1988”. Socialistas computam gesto de Maia no sentido de colaborar na interlocução de uma campanha do ex-presidente Lula. Ele, expulso do DEM anteontem, e o petista reuniram na última sexta-feira, no Rio de Janeiro, no Palácio da Cidade, na presença também do prefeito Eduardo Paes e da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann.
No tucanato, a leitura do cenário diverge, por enquanto, da feita no ninho socialista. O PSDB deixou o governo de Eduardo Paes essa semana. O único representante da sigla na gestão, o ex-secretário de Turismo, Cristiano Beraldo, pediu demissão, alegando “motivos pessoais”, mas tucanos apontam significado de um distanciamento político já numa sinalização para 2022. Em paraleo, consideram, hoje, que o PSB quer “entregar o partido a Lula” em troca de apoio à candidatura de Geraldo Julio ao Governo de Pernambuco. Nas hostes tucanas, pesa, atualmente, a avaliação é que tanto Freixo como Eduardo Paes se dirigem para um projeto pró-Lula, o que impede a consolidação dessa frente ampla, incluindo o PSDB, na qual o PSB aposta. Hoje, inclusive, os partidos de centro de reúnem, em Brasília, visando a construir uma saída à polarização entre Lula e Bolsonaro em 2022.
MDB, DEM e PSDB à mesa
Os presidentes nacionais do MDB, Baleia Rossi, do PSDB, Bruno Araújo, e do DEM, ACM Neto, foram à mesa na casa do dirigent tucano na semana passada. O conjunto vem buscando estreitar o entendimento em torno de 2022. Hoje, essas mesmas siglas se reúnem, na Capital Federal com Cidadania, Novo, Podemos, PV e Solidariedade. O PSL é dado como certa na articulação.
Dever de Casa - O encontro desses partidos de centro em Brasília, hoje, é descrito por integrantes das legendas como um movimento para dar clareza em demonstração pública de que esse grupo está exercitando alternativas fora da polarização entre Jair Bolsonaro e Lula.
Giro - Marcelo Freixo começou por Pernambuco, como a coluna antecipou, uma série de visitas que fará também a outros estados. Ontem, almoçou com o governador Paulo Câmara, no Palácio das Princesas, e esteve também na sede do PSB-PE. O Estado exerce hegemonia na legenda nacionalmente, o que dá um simbolismo à agenda, que incluiu visita também à Prefeitura do Recife na última segunda-feira.
Corrida - Às vésperas da votação da reforma da previdência municipal, o vereador Tadeu Calheiros, único médico entre os parlamentares da atual legislatura, tem sido procurado por representantes de associações e sindicatos ligados à saúde, todos preocupados com o texto. Após várias rodadas de discussões, Tadeu protocolou 23 emendas aos projetos originais.
Fonte :Folha de PE.

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