sábado, 20 de março de 2021

Aceno a poderes, ação na contramão e pressão crescente sobre o Congresso

 

Ao presidente do STF, ministro Luiz Fux, o presidente Jair Bolsonaro negou que estivesse pensando em decretar estado de sítio. Mas o fato de ter mencionado a medida, ao falar a apoiadores, gerou reações duras entre parlamentares. Há quem avalie que, mesmo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que cuidou de declarar não haver "há mínima razão fática, política e jurídica, para sequer se cogitar o estado de sítio no Brasil", pode acabar empurrado a fazer andar uma CPI, caso o presidente não freie seus ímpetos em meio ao colapso na Saúde. Ontem, o Brasil bateu, pela primeira vez, o recorde de 15 mil óbitos em uma semana, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa. Segundo os números do Ministério da Saúde, ontem foi o segundo dia em que mais se registrou óbitos desde o início da pandemia: 2.815 mortes. Deputados definem como "surreal" a postura do presidente de parecer alheio à tragédia e há quem aponte "contradição" na postura de ser contra lockdown e sugerir o estado de sítio ao mesmo tempo.

Há quem defina como mais uma "cortina de fumaça", caso do líder do PDT na Câmara, Wolney Queiroz. "É mais uma bravata para desviar o foco do assunto principal que é a carnificina que está acontecendo no País", critica. Mesmo na base do governo, há quem alerte que a tensão gerada com frequência pelo presidente no momento em que instituições pedem unidade, pode acabar elevando a pressão sobre o Congresso e os parlamentares podem ser instados a investigarem a conduta do governo na crise da Covid-19. A Fux, Bolsonaro disse aguardar resposta da Corte à ação, impetrada por ele, que questiona decretos dos governadores. O presidente vai para o enfrentamento com os gestores na mesma semana em que se deu negociação entre Planalto, Congresso, STF e PGR por um "grande pacto nacional" contra a pandemia, a ser selado em reunião na próxima semana. Bolsonaro faz provocação também na semana em que o Datafolha indicou que 54% dos entrevistados avaliam como ruim ou péssimo o desempenho do presidente na gestão da crise provocada pela Covid-19, ante os 48%, em janeiro. Sinal de que os conflitos subsequentes com os estados não estão dando resultado positivos aos olhos da população.

"Não tem outra palavra: é fora Bolsonaro!"
Tradicionalmente ponderado, o deputado federal Tadeu Alencar, à coluna, avalia que "o  presidente Jair Bolsonaro está ultrapassando todas as fronteiras da irresponsabilidade". E sobe o tom: "O seu repertório de crimes comuns e de responsabilidade é abundante. O dia de hoje (ontem), incluindo a provocação ao STF contra os governadores e a referência ao 'estado de sítio' deveriam fazer acordar a todos do quanto ele é um elemento que corrói as instituições e o País. Diante desse tipo de comportamento, não tem outra palavra: é fora, Bolsonaro!". 

Reino >"Enquanto governadores, prefeitos e instituições se esforçam para enfrentar a ferocidade da pandemia, pondera Tadeu, "o presidente da República segue no seu reino de alienação".

Digital > Com o PT rachado e ainda sem decidir um nome para ocupar a liderança da Minoria na Câmara, foi posta em curso uma articulação na Oposição para dar ao espaço ao PSOL ainda este ano. Circula, no entanto, que Marcelo Freixo, cotado para o cargo, seria um nome pelo qual o presidente da Casa, Arthur Lira, estaria trabalhando para embaraçar o meio de campo na Oposição.

Escalação > Wolney Queiroz, à coluna, adverte: "Arthur Lira não pode querer escalar o time adversário. A gente pode até ficar sem decidir. Mas ele é que não pode indicar no nosso lugar”. 

Fonte :Folha de PE.

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