Após uma sucessão de gestos, nos últimos dias, os partidos de Oposição devem formalizar, hoje, o apoio ao bloco liderado por Rodrigo Maia na corrida pela presidência da Câmara Federal. Há um ato marcado para as 15h com essa finalidade naquela Casa. A previsão é de que o movimento englobe PDT, PCdoB, PSB e PT. Ao longo da semana, uma impaciência já vinha tomando conta dos integrantes dessas siglas, que relatavam não terem feito o anúncio antes, porque ainda se aguardava posição dos petistas. O combinado era anunciar tudo junto. Presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, informou, na noite da última quarta-feira, que o partido não iria compor bloco "para a mesa da Câmara com candidatura apoiada por Bolsonaro". E avisou, na sequência, que o PT "junto com a oposição construirá alternativa de bloco em defesa da democracia e uma candidatura que represente e debata um programa e uma agenda para derrotar Bolsonaro e tirar o país da crise". A posição de Gleisi tem sintonia com a já emitida pelo Diretório Nacional do PSB, na última sexta-feira, quando se recomendou que a bancada "reafirme a posição do partido, não examinando a hipótese de apoio à candidatura do deputado Arthur Lira, a presidência da Câmara Federal, ou a qualquer candidatura oriunda do pleito do Palácio do Planalto". A despeito dessa determinação, essa não é uma questão pacificada na bancada do PSB.
Como a coluna cantara a pedra, o deputado Felipe Carreras, por exemplo, já declarou que a decisão cabe aos parlamentares e que votará em Arthur, conforme indicativo já tirado pela bancada. Não só existe um racha no PSB como há parlamentares apontando incoerência da sigla em se inclinar para o bloco de Maia, uma vez que a agenda econômica do presidente da Câmara é afinada com a do ministro Paulo Guedes e que pautas como a Reforma da Previdência, combatidas pelo PSB, foram capitaneadas pelo democrata. Apesar da possibilidade de haver "furos" na votação, ou seja, de socialistas votarem em Arthur, o que pesa, agora, aos olhos dessa ala oposicionista, é o jogo do bloco, mais do que dos votos. Atrair siglas para o blocão de Maia seria o caminho para tornar Arthur Lira menos atrativo. É o bloco que define a divisão de espaços na Mesa, o que mais interessa a todos os envolvidos nesse momento. Além da ala oposicionista, estão reunidos nessa órbita de Maia ainda: DEM, PSDB, MDB, Cidania e PV.
Pai da Previdência
Entre oposicionistas pró-Arthur Lira, não passa batida a afinidade de Rodrigo Maia com a pauta econômica do governo. Nas coxias, se define Maia como "pai da Reforma da Previdência". Lembram que ele “tratorou” a Oposição nesse quesito e que o PSB, agora aliado dele, decidiu punir, à época, deputados que votaram a favor.
PSOL E REDE > Nesse movimento das Oposições, há uma expectativa de que o PSOL se junte ao blocão liderado por Maia na próxima semana. E há quem aposte na atração da Rede também.
Efeito... > Um projeto de mudança no regimento da Câmara apresentado em 2016 pelo então deputado federal Jarbas Vasconcelos, caso não tivesse sido engavetado, poderia dar um outro rumo à atual corrida pela presidência da Casa. Pela proposta, nenhum parlamentar que tenha contra si denúncia recebida pelo STF poderia concorrer a cargos na Mesa Diretora.
...da gaveta > Isso atingiria Arthur Lira. “Minha proposta foi justamente para evitar esse constrangimento, que é ver um deputado réu assumir um cargo de tamanha relevância para o País. Infelizmente, o projeto foi engavetado”, afirma, à coluna, Jarbas Vasconcelos.
Fonte : Folha de PE.

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