Aprovada, ontem, por unanimidade, a recomendação do Diretório Nacional do PSB prevê o seguinte: que a bancada na Câmara dos Deputados não apoie qualquer candidatura que represente o Palácio do Planalto na corrida pela presidência da Câmara Federal. O texto da determinação cita Arthur Lira (PP) como exemplo. O detalhe é que essa orientação pode não encontrar ressonância entre boa parte dos 31 deputados federais socialistas.
Um dos integrantes da bancada, Felipe Carreras, à coluna, dá uma temperatura da divergência que pode se instalar no day after. “Recomendação não significa nada para decisão da bancada. Essa decisão cabe aos deputados", argumenta ele e defende: “O partido tem que respeitar a posição de 19 parlamentares - dentro disso, dois prefeitos eleitos de capitais (João Campos e JHC) - que querem seguir numa posição administrativa e política da Casa, com a condicionante do candidato Arthur Lira assinar uma carta compromisso, defendendo os valores históricos do nosso campo”. Carreras se refere ao indicativo tirado, na última quarta-feira, durante reunião da bancada, no sentido de compor um bloco, exatamente, com o candidato progressista. Na ocasião, 19 parlamentares se posicionaram favoráveis a apoiar Arthur, que conta com a simpatia do presidente Jair Bolsonaro. Esse foi um dos pontos realçados pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, ontem. “A principal contradição que vivemos no País é entre democracia e autoritarismo”, advertiu o dirigente, fazendo referência ao debate pautado pela sigla num contraponto ao Governo Federal.
Na avaliação de Felipe Carreras, apoiar Arthur na Câmara não tem relação com aceno ao Planalto. “Ter uma posição da maioria da bancada em torno da candidatura de Arthur à presidência da Casa não tem nada a ver com sinalizar nada ao Executivo. Nossa posição de Oposição é muito clara. A gente foi eleito na Oposição, tem postura de Oposição, permanece na Oposição. Pior é ficar esperando Rodrigo Maia escolher um candidato, o partido de Rodrigo é integrante do governo, com ministros. Todos os candidatos sinalizados por Rodrigo são da base do governo, e a gente ficar à mercê disso é muito pior do que a gente apoiar um candidato que vai assinar carta de compromisso de independência em relação aos poderes". Carreras reage: "Isso nunca existiu na história do PSB. A gente respeita, mas a bancada vai ter sua posição".
Imagine se...
Felipe Carreras simula um comparativo: "Imagine se o Diretório Municipal do partido interferir na decisão da Mesa da Câmara de Vereadores, ou o Diretório Estadual, na eleição da Mesa da Assembleia Legislativa". E reforça: "Nunca existiu isso na história do PSB. Isso é uma decisão dos parlamentares da bancada".
Na Sibéria > Há uma corrente no PSB atenta ao fato de que uma parte dos deputados pró-Arthur Lira é também da ala que divergiu da posição do Diretório Nacional na Reforma da Previdência. Resultado: acabaram encaminhados ao Conselho de Ética. Nas coxias, se faz referência a esse conjunto como os que estão "na Sibéria" desde então. Foram 12 naquela ocasião. Agora, são 19.
Não se compara > Carreras, à coluna, chama a atenção
para a diferença entre as duas situações: "Dessa vez, não se fechou questão. É uma recomendação". E avisa: "Eu mesmo voto diferente".
Unânime > Já era por volta das 20h ontem, quando a reunião do Diretório Nacional do PSB, iniciada às 14h, foi encerrada. Dos 80 presentes na hora da votação, nenhum ofereceu objeção à decisão. A instância é composta por mais de 100 membros. Entres os presentes, estavam o governador Paulo Câmara e o prefeito Geraldo Julio.
Fonte: Folha de PE.

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