"Se o que o partido acha não tem importância, para que partido?". A interrogação é dirigida à coluna pelo deputado federal Tadeu Alencar, um dos integrantes do Diretório Nacional do PSB presentes à reunião da referida instância na última sexta. A Tadeu, naquele dia, não passou batido um detalhe: "O presidente Carlos Siqueira perguntou cinco vezes se alguém tinha objeção. Foi uma decisão por unanimidade (80x0). Não teve posição contrária e não houve abstenções". Tadeu se refere à recomendação do Diretório Nacional emitida via Resolução nº 001/2020. O texto prevê "fixar com muita clareza a postura oposicionista" do partido ao Governo Bolsonaro e recomenda que a bancada "reafirme a posição do partido, não examinando a hipótese de apoio à candidatura do deputado Arthur Lira à presidência da Câmara Federal, ou a qualquer candidatura oriunda do pleito do Palácio do Planalto”. A orientação se deu após a bancada já ter apontado um indicativo, na última quarta, de apoio a Arthur, o que já gerou um ruído nas coxias.
Como a coluna antecipou, o deputado Felipe Carreras já avisou que vota em Arthur Lira e alertara: “Recomendação não significa nada para decisão da bancada. Essa decisão cabe aos deputados". Líder da bancada, Alessandro Molon, chegou ontem à Capital Federal. Há expectativa de que o tema volte a ser debatido esta semana. "Não tenho dúvidas de que vamos precisar discutir o assunto. A unidade é algo muito caro ao partido", realça Tadeu à coluna. E adverte: "A pressa apequena os nossos motivos". Em outras palavras, Tadeu detalha: "Terminou que, com certeza, ninguém estava querendo apoiar Bolsonaro. Mas ficou parecendo que era isso, o que desencadeou toda uma reação na sociedade e no partido sem contestações. Seria interessante ter um debate. Não se trata de uma decisão monocrática do presidente. O sujeito pode tomar uma série de decisões, inclusive desobedecer orientação. Agora, ela não pode ser ignorada".
PT se reúne, mas sem debate de cargos
A Executiva estadual do PT se reuniu, na noite de ontem. Todos os parlamentares foram convidados. Na pauta: avaliação da eleição municipal. A ocupação dos espaços no governo Paulo Câmara não foi levada à mesa. Presidente do PT-PE, Doriel Barros, à coluna, informa que questões mais específicas serão debatidas em outro momento. Sobre os cargos na gestão do PSB, reforça que "há aliança com o PSB nos municípios e consultas estão sendo feitas às bases”.
Malas Pronta > Há apostas na ida de Antônio Limeira, um dos secretários executivos da Casa Civil do Estado, para a Prefeitura do Recife. Limeira é da confiança de João Campos e foi adjunto dele, quando o prefeito eleito foi chefe de Gabinete de Paulo.
Rendimentos > A aprovação, ontem, na Câmara Federal, do projeto que destina de até R$ 62 bilhões para estados e municípios, como compensação pelas perdas com a Lei Kandir, vai render aos municípios de Pernambuco, já neste ano, mais de R$ 7,6 milhões.
Extra > O deputado Silvio Costa Filho, à frente das discussões sobre o novo Pacto Federativo, comemorou: “Os recursos serão fundamentais. Podem ser investidos nas áreas social, na saúde, educação, infraestrutura e na segurança cidadã...”.
Atenta > A vice-prefeita eleita do Recife, Isabella de Roldão, tem participado ativamente das reuniões da equipe de transição. Ontem, ela foi à mesa com o vice-prefeito Luciano Siqueira.
Homenagem > Tadeu Alencar solicitou, ontem, um minuto de silêncio na Câmara dos Deputados pelo falecimento de Cadoca.
Fonte : Folha de PE.

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