Mas da mesma forma que a desvantagem pode se transformar em vantagem, o contrário pode facilmente acontecer e em uma campanha nunca se pode subestimar um adversário por menor que ele seja, politicamente falando. O maior exemplo de que o mundo dá voltas e muitas vezes elas são favoráveis é o próprio Eduardo Campos. Em 1998, acuado por denúncias dos precatórios, o então deputado federal e secretário de Arraes passou por períodos difíceis de sua história. Eduardo chegou a dizer em uma entrevista que muitas vezes ao voltar de Brasília descia do voo na Paraíba e vinha de carro para Pernambuco para evitar protestos no aeroporto.
Mas o tempo foi passando e tudo foi ficando esclarecido. Eduardo foi absolvido no caso dos precatórios pelo Supremo Tribunal Federal e começou a crescer igual foguete em Pernambuco. A sensação era de que a população pernambucana tinha que fazer justiça a Arraes (que não foi reeleito em 1998) e a Eduardo Campos. Arraes, faleceu em 2005 e no ano seguinte o seu neto era eleito com uma votação expressiva para o governo de Pernambuco.
Isso diz muito a quem acha que na política tudo está resolvido. Não é bem assim. Tivemos muitas eleições aqui no estado que nos ensinaram completamente o contrário e muitas delas neste ano de 2020. Qual será a onda que vai tomar conta do clima da campanha de 2022? Quem imaginaria no início de 2020 que nós viveríamos uma campanha para prefeito do Recife onde o tom religioso fosse ditar às regras do pleito? Isso por si só já diz muito. O que decide uma eleição não é o antes, não é o passado, mas é a atualidade.
Ainda não temos o clima de 2022 até porque sequer encerramos o pleito de 2020, mas já podemos ver alguns sinais. Um deles aconteceu durante esta semana quando a deputada Marília Arraes (PT) visitou o Prefeito Anderson Ferreira (PL) e o presentou com um exemplar "WAR: O jogo da estratégia". No PT, a reclamação foi grande, tendo em vista que o prefeito tem uma representação muito forte com o governo Bolsonaro combatido pelo PT. Mas Marília está enxergando já 2022, assim como Anderson também e ambos irão "dançar conforme a música" mas eles sabem que até mesmo para dar o primeiro passo é preciso ouvir o tom.
Alguém que viu Eduardo Campos em 1997 e 1998 passando pelo massacre da mídia no caso dos precatórios imaginava ali que pouco menos de cinco anos aquele seria governador do estado e seria reeleito com uma liderança imbatível por aqui? Alguém imaginou que o governador que derrotou Arraes em 1998 com uma votação estrondosa iria levar o mesmo revés de um neto dele em 2010? Alguém imagina que Marília e Anderson Ferreira façam parte de uma mesma chapa na majoritária para o governo do estado? Hoje ninguém imagina. Pois é... Hoje!
Ah, a política e suas contradições.
Silvinho Silva, editor do Blog
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Fonte: Blog do Silvinho.


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