A cúpula do PSB estará em São Paulo no próximo domingo, incluindo o presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira, o governador de Pernambuco e vice-presidente nacional do partido, Paulo Câmara, além do prefeito do Recife e vice-presidente nacional de Relações Federativas, João Campos.
Todos comparecerão ao jantar, promovido pelo grupo Prerrogativas, no restaurante Figueira Rubayat. Ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, cujo nome é cotado para vice numa chapa com o ex-presidente Lula, também é esperado no evento, assim como o próprio líder-mor do PT. O detalhe é que, antes do jantar, Alckmin vai à mesa num encontro reservado com Carlos Siqueira.
Segundo fontes que acompanham as movimentações, a reunião, ainda sigilosa, dos dois já tem local e horário definidos e foi combinada após o paulista tomar conhecimento de que Siqueira já estaria em São Paulo nesse dia. Será o primeiro encontro dos dois depois de Alckmin anunciar, na última quarta-feira, sua desfiliação do PSDB.
O movimento é simbólico ainda porque a construção de uma chapa Lula-Alckmin passa por uma já ventilada filiação do ex-governador de São Paulo ao PSB. As conversas entre o petista e o, agora, ex-tucano já se estendem desde meados do ano, mas vinham se dando de forma silenciosa.
Os acenos públicos entre os dois, no entanto, são mais recentes e datam do mês passado. A filiação de Alckmin ao PSB é capaz de desembaraçar a situação no cenário paulista, definido como “problema mais emblemático” do PSB no bojo das costuras regionais que vêm se dando, visando a uma aliança com o PT para corrida presidencial.
Essa solução pode harmonizar a eleição de Márcio França, cujo nome é cotado para disputar o Governo de São Paulo ou o Senado. Uma saída de Alckmin do páreo da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes deixaria o caminho livre para Márcio, aliado seu de primeira hora, apoiar o PT sem ruído e até para compor uma chapa com Fernando Haddad.
No PSB, ainda não se sabe se essa conversa de Alckmin com Siqueira deve ser decisiva, mas caberá ao paulista definir se ingressa no PSB ou não. O diálogo também se dará como uma prévia do primeiro encontro público que Alckmin terá com Lula após iniciadas essas costuras.
Na casa dos 99%
Se no PSB não se crava ainda que Geraldo Alckmin se filiará ao partido, as previsões de petistas e socialistas andam bem alinhadas. O percentual, adotado por Márcio França, ontem, para definir o percentual de chance da chapa Lula-Alckmin sair, de 99%, é o mesmo que já vinha sendo adotado pelo senador Humberto Costa para se referir à mesma hipótese.
Embarque > À noite, no jantar do Prerrogativas, todo mundo estará junto: Paulo Câmara, Carlos Siqueira, João Campos, Lula e Geraldo Alckmin. O governador de Pernambuco embarca no domingo, porque, no sábado, estará em uma festa surpresa para José Neto, secretário da Casa Civil, e vai ao casamento de Maria Cândida, filha de André de Paula, presidente estadual do PSD.
Expectativa > Nas hostes socialistas, há um sentimento de que a afinidade de Geraldo Alckmin é maior com o PSB do que com o PSD, presidido nacionalmente por Gilberto Kassab, e com o qual Alckmin costurava inicialmente para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Há bolsa de apostas crescente de que filiação de Alckmin ao PSB vai resolver situação de São Paulo.
Fonte :Folha de PE.
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