terça-feira, 14 de setembro de 2021

Depois do MBL, a vez do PT

 


Tão logo viu nas ruas, domingo passado, o fiasco das manifestações contra Bolsonaro promovidas pelo Movimento Brasil Libre, o MBL, o PT começou a convocação para um ato em 2 de outubro pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O vice-presidente nacional do partido e deputado federal José Guimarães (CE) publicou um vídeo em seu perfil no Twitter com um chamado para o protesto poucas horas depois da realização de manifestações em ao menos 15 capitais brasileiras com o mesmo lema, que acabaram caracterizadas como atos da chamada 3ª via da eleição presidencial de 2022.

Os eventos do MBL tiveram baixa adesão, na verdade uns gatos pingados, inclusive em São Paulo. Na Avenida Paulista, em São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública informou ter contabilizado a presença de seis mil pessoas. Em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, havia menos de 500 manifestantes. Por trás do comparecimento modesto, o que se diz é que existe um racha entre os opositores de Bolsonaro.

Da mesma forma que grupos de direita não aderiram aos atos contra o presidente no 7 de setembro, partidos de esquerda boicotaram os convocados por MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua, domingo passado. Na tentativa de atrair os petistas, o MBL aboliu o lema “Nem Lula nem Bolsonaro”, considerado inaceitável por petistas e psolistas.

Mas em praticamente todos os atos foram vistas faixas com esses dizerem. “O PT não foi [aos atos] por conta da forma e do conteúdo como os atos foram inicialmente organizados”. “A luta pela democracia, pelo estado democrático de direito não pode ser confundida com a luta nem a disputa eleitoral. A manifestação que o MBL programou tinha um conteúdo claro: era um ato pela 3ª via”, disse José Guimarães.

O protesto do MBL na avenida Paulista teve a participação de cinco presidenciáveis –o ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PDT); o governador de São Paulo, João Doria (PSDB); o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), e os senadores Simone Tebet (MDB-MS) e Alessandro Vieira (Cidadania-MA). “Temos que dar amplitude, envolver todos. Não é ato de candidatura A, B ou C, é um ato pela democracia. Temos que fazer uma manifestação ampla, grandiosa, maior do que as do Bolsonaro. É assim que nós vamos fazer, com todos os movimentos sociais, centrais sindicais. Vamos chamar todos os partidos do centro e mostrar que a luta pela democracia tem que ter essa amplitude, se não vai dar certo. Sem isso, nós não teremos força para tirar Bolsonaro”, disse Guimarães.

Gozação pelas redes – Integrantes do Governo e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro usaram as redes sociais para ironizar as manifestações organizadas pelo MBL (Movimento Brasil Livre) e VPR (Vem Pra Rua). O ministro Fábio Faria (Comunicações) ironizou em seu perfil oficial no Twitter o tamanho dos atos realizados. Ele fez referência ao ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao dizer que o “distanciamento social está sendo totalmente respeitado” nas manifestações. A ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) compartilhou a publicação de Fábio Faria e acrescentou: “CHORA ESQUERDA!

Gargalhadas – Já o ministro do Turismo, o pernambucano Gilson Machado Neto, em sua conta oficial no Twitter, além de rir da cara dos organizadores dos atos contra Bolsonaro, fez uma provocação: "O principal mantra do Jornalismo! “NUNCA DISCUTA COM UMA IMAGEM". Ele comparou imagens dos protestos a favor de Bolsonaro no dia 7 de setembro com algumas que ele atribui às manifestações de domingo passado convocadas por movimentos como MBL e Vem Pra Rua. E, no final, deu várias gargalhadas em tom de verdadeiro deboche.

Volta das cirurgias – Mutirões e pagamentos extras estão entre as estratégias adotadas por Estados e municípios para tentar reduzir as filas que se formaram diante do adiamento ou interrupção das cirurgias eletivas durante os períodos mais críticos da crise da covid-19. O Ministério da Saúde informou, em nota, que a definição dos critérios para a realização de procedimentos eletivos compete aos Estados e municípios e que tem oferecido apoio aos gestores do SUS.

Já surtiu efeitos – No curto prazo, segundo o Estadão, ao menos, a carta Bolsonaro/Temer cumpriu objetivos, avaliam governistas: 1) acalmou Rodrigo Pacheco (DEM-MG); 2) ajudou a esvaziar os protestos contra o Jair Bolsonaro do domingo, 12. O primeiro item foi muito comemorado em privado porque o presidente do Senado é visto hoje como a tábua de salvação para André Mendonça, que precisa do aval da Casa para chegar ao STF. Se o engenhoso plano montado por Davi Alcolumbre (DEM-AP) para barrar Mendonça atrair o apoio de Pacheco, será o fim da linha para o ex-AGU.

Cara de pau – Suplente de deputado estadual, no exercício do mandato em razão da convocação de Claudiano Martins, titular da cadeira, Marcantonio Dourado Filho (PP) foi às redes sociais comemorar a retomada das obras da PE-170, que liga Lajedo a Canhotinho, no Agreste Meridional. Só esqueceu de dizer que seu pai, que teve sete mandatos na Alepe e seu tio Antônio João Dourado, agora na condição de diretor-presidente do DER, nunca deram uma palavra em favor das estradas malconservadas na região. É muita cara de pau, não?

CURTAS

PROTESTO – Bolsonaristas do primeiro time em Pernambuco, o deputado Alberto Feitosa (PSC) e o presidente estadual do PTB, Coronel Meira, prestigiaram, ontem, na Assembleia Legislativa de Natal, um ato em favor da liberdade do presidente nacional da legenda trabalhista, Roberto Jefferson, preso, segundo Meira, de forma arbitrária e ilegal pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

DESPESAS – O Governo deve elevar em R$ 18 bilhões a previsão de despesas em 2022. Segundo o jornal Valor Econômico, o motivo é a alta do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Ao elaborar o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), a área econômica do governo projetou alta de 6,2% no INPC. Projeções do mercado, no entanto, calculam que haja crescimento de 8,5%.

Perguntar não ofende: Lula vai botar a cara nas ruas sem ser em atos do PT?

Fonte: Blog do Magno Martins.

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