Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) endurecer o tom nas mobilizações de Sete de Setembro, que reuniu milhares de pessoas em diversas cidades ontem, presidentes nacionais de partidos de esquerda tentam mobilizar uma articulação mais ampla pelo impeachment do chefe do Executivo federal, que inclua também legendas de centro e direita. O chefe do Executivo conseguiu mostrar força ao fazer uma ampla mobilização da sua base aliada nas ruas. Falou em enquadrar o ministro Alexandre de Moraes e não aceitar mais “prisões políticas”. O tom mais duro, contudo, fez com que agremiações como PSDB, Solidariedade, MDB e PSD admitindo a discussão em torno do impedimento animou partidos de oposição, que esperam engrossar as articulações pelo afastamento do gestor. PDT, PSB, REDE, Cidadania e PV já endossam o movimento “Janelas pela Democracia: Impeachment Já” e esperam construir um movimento mais amplo e apartidário em torno da pauta. Ontem, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, entrou em contato com dirigentes de siglas de centro e direita, com o intuito de tentar ampliar o escopo partidário da manifestação. "É uma iniciativa do campo democrático e não de um só partido”, afirmou. O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, relata que líderes partidários se reunirão hoje para tentar mobilizar uma reação mais organizada em defesa do impeachment do presidente da República. A ofensiva poderá envolver também os líderes dos partidos na Câmara dos Deputados. Com uma série de pedidos de afastamento na gaveta da Câmara dos Deputados, o dirigente avalia convocar os representantes partidários no Parlamento para tentar fazer um apelo ao presidente da Casa Baixa, Arthur Lira. Já o presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, acredita que Bolsonaro “fez um favor” ao unir lideranças de oposição ao Governo. "Essa manifestação golpista de Bolsonaro só ajudou. Vejo possibilidade de termos uma grande unidade de todas as oposições", defendeu.
Base mobilizada para 22
O movimento de Jair Bolsonaro ao convocar a população para ir às ruas visa não somente mostrar força na Praça dos Três Poderes, mas também garantir uma mobilização robusta dos seus apoiadores para 2022. Em seu discurso, o gestor falou que só “só Deus me tira de lá" e que só deixa Brasília morto. Contudo, o gestor sabe que só é possível chegar ao poder na democracia pelo voto e mobiliza sua base de olho na corrida às urnas.
Sem centrão > O senador Humberto Costa (PT) avalia que o tom usado pelo presidente Jair Bolsonaro nas manifestações darão um novo gás ao processo de impeachment. O parlamentar aponta que partidos e lideranças do centrão se manifestam no sentido de dar um freio aos impulsos do gestor. "A lua de mel com o centrão está começando a acabar. O tom foi muito além", disse.
reação > Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara (PSB) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), reagiram fortemente ao tom adotado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em seu discurso. O gestor estadual falou em “delírios autoritários” e o administrador municipal em “bravata”. Ambos ressaltaram as dificuldades enfrentadas pelo país diante da crise econônomica.
resposta > Com os pedidos de impeachment engavetados na Câmara, o presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, afirma que a mobilização de partidos e sociedade é a única forma de impulsionar a abertura do processo de afastamento. Uma das apostas são os atos de 12 de setembro convocados pela oposição.
Fonte :Folha de PE.

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