domingo, 18 de abril de 2021

Sapato alto derrotou Magalhães na visão de Liba

 

Invasão ao JC, greve da PM em frente ao Palácio, a "banana" em Boa Viagem, cada episódio marcante na eleição pode ter levado Roberto Magalhães à derrota frente a João Paulo em 2000. Mas de todos, o que pesou mais foi o sapato alto da aliança governista, segundo a visão do único vereador ouvido por este blogueiro para o livro A derrota não anunciada, que vem sendo reproduzido neste espaço nos últimos dias.

Refiro-me ao então vereador Liberato Costa Júnior, o Velho Liba (MDB), como era conhecido o mais longínquo em número de mandatos na Casa, dez ao todo, ou seja, 40 anos de ação no parlamento municipal. Mas, forçado a escolher dentre os fatos que mais pesaram para o insucesso eleitoral do candidato que apoiou, Liba citou a "banana" que Magalhães deu em direção aos militantes de Carlos Wilson, então candidato do PPS, que interditaram a Avenida Boa Viagem para impedir uma carreata de Magalhães.

"O gesto mostrou um desabafo desnecessário, que poderia ter sido contido. Mas, isso vai muito do temperamento da pessoa. Há políticos que são assim, temperamentais, outros são mais serenos. É a tal história que é secular: o político tem que engolir sapo", disse no depoimento exclusivo para o livro. Confira!

Capítulo 22

“Roberto não soube engolir sapo”

Aos 85 anos, o vereador Liberato Costa Júnior, o decano da Câmara do Recife, se transforma num garoto quando começa a falar de política. É a sua praia preferida, uma paixão que corre nas suas veias desde garoto.

Constituinte Estadual em 1967, Liberato conquistou seu primeiro mandato popular em 1955. De lá para cá, nunca mais perdeu uma eleição. Emplacou nove mandatos de vereador do Recife, um de deputado estadual e está se preparando para arrebatar o décimo de vereador, com o mesmo vigor de antes.

Para inserir neste livro uma opinião abalizada do político que está mais próximo do povo – o Vereador – julguei que não havia uma personalidade com mais legitimidade do que Liberato. Foi a ele que recorri numa manhã de uma segunda-feira modorrenta do final de novembro de 2003, no seu gabinete. Lá, o encontrei atendendo o povo, com humildade e simplicidade, marcas da sua personalidade.

O “Velho Liba”, como é tratado carinhosamente pelos colegas do Legislativo, traçou um quadro fiel do que ocorreu em 2000 com uma lucidez de raposa política e a sabedoria da velha escola pessedista de Tancredo Neves. Resumiu, numa só frase a razão do atropelo de Roberto Magalhães diante de um processo eleitoral em que até o maior leigo em política julgaria como vitorioso. “Faltou ao doutor Roberto paciência para exercitar a arte de engolir sapo em política”, constatou.

Para ele, não se deve jogar pedras apenas em Roberto Magalhães. Todo o comando da campanha, com exceção do governador, no seu entender, agiu com sapato alto, subestimou a capacidade de reação dos adversários, principalmente o do PT, o candidato João Paulo, que se apresentava com uma identificação de causar inveja com o povo, o eleitor simples.

O que levou a aliança jarbista a sucumbir em 2000?

      Foi um somatório de erros, tantos erros e intervenções que afunilaram para a derrota eleitoral. Em primeiro lugar, houve muita euforia. A euforia derrota, A euforia é o sapato alto. E todos da aliança estavam de sapato alto.

Do candidato ao governador?

      O governador, não. Jarbas fez a parte dele e muito bem feita. O sapato alto contaminou toda a equipe, as lideranças.

Não foram mais os erros do doutor Roberto?

      Eu vou chegar lá. Quando me refiro à aliança, quero dizer a equipe que participou diretamente da campanha. A aliança é muito ampla, mas teve a equipe que participou da campanha. Pelo menos a direção da campanha no Recife, na minha modesta opinião, era mais e tanto quanto elitista do que popular. E o Recife requeria, enfrentando um candidato pé no chão, uma campanha popular. Muito junto ao povo, mas muito mesmo. Isso aí eu aponto como uma filigrana de imperfeição. Sucessivos erros do meu amigo Roberto Magalhães, a começar por aquele fato da Imprensa.

O senhor está se referindo à invasão da redação do JC?

      Sim. Foi um episódio marcante, que desgastou muito o candidato. Mas, ocorreram outros fatos lamentáveis. Faltou uma aproximação mais estreita com a área popular e isso só poderia ter sido feito através dos vereadores. Estão aí os vereadores ainda vivos e muitos ainda ativos que podem confirmar o que estou dizendo. Não houve, nem no primeiro nem no segundo turno. No segundo turno então, a coordenação e a equipe que comandaram a eleição não se espelharam nos exemplos do primeiro turno.

Como assim?

      Nós tínhamos que buscar, a qualquer custo, o contato com a periferia, com a baixa renda, com aquilo que nós chamamos povo. Por quê? Porque a equipe continuou no segundo turno ignorando os vereadores que tinham sido eleitos e os que tinham perdido a eleição, mas que poderiam vir para o contingente com a perspectiva de poder. Então, tinha que procurar tudo isso. Deixou-se de procurar a convivência, o diálogo e se buscar um diálogo com um partido que perdeu a eleição, o PDT. Nós teríamos que procurar o Vicente André Gomes e o PDT. Não houve o menor interesse. Que eu saiba não. Não chegou ao meu conhecimento esse interesse em procurar um entendimento político, tão comum, tão útil, tão necessário – principalmente com um partido que tinha disputado a majoritária e que tinha tido cerca de 30 mil votos. Só Vicente (no reduto de Casa Amarela), sem o partido, tiraria qualquer diferença de cinco mil votos. Eu escarrei sangue na campanha, mesmo já estando eleito, mas eu tinha um compromisso com doutor Roberto, com o governador Jarbas Vasconcelos, principalmente, que me chamou e pediu todo o meu empenho.

Doutor Roberto reclama que o partido do senhor, o PMDB, cruzou os braços na campanha. O senhor concorda?

      Não houve cruzamento de braços. Eu, pelo menos, que sou vice-presidente do partido, me engajei duramente, O fato – e eu disse isso a Dorany – é o seguinte: time que está ganhando não se mexe. Veio com Raul vitorioso, deveria ter continuado com ele. Não quero descer ao detalhe da figura humana do vice, que substituiu Raul, o hoje senador Sérgio Guerra. Eu não entro nesse detalhe. Mas Raul tinha muito mais penetração. Já vinha há três anos substituindo o prefeito, participando de tudo. Um aliado leal, competente, modesto, mais sóbrio. E com uma penetração muito grande, sobretudo nos meios intelectuais. Então, se o time está ganhando, pra que mexer no time? Foi um erro lamentável.

Mas, para entrar na aliança, o PSDB exigiu a vice, não foi?

      Isso pode ter ocorrido, de fato. O PSDB fez essa exigência, mas ele não coligou na proporcional. Ficaram independentes na proporcional e isso gerou problemas com os demais candidatos a vereador da aliança.

Isso atrapalhou muito?

      Atrapalhou. Os vereadores não tiveram o mesmo interesse. É natural que não tenham tido.

A postura egoísta do PSDB atrapalhou a reeleição de vereadores do PMDB?

      Vários não foram eleitos e não apenas do PMDB.

Pode citar algum?

      Rafael de Menezes, um vereador importante. Fred Oliveira, outro veterano. A juventude perdeu o entusiasmo quando não viu mais Raul Henry na chapa como vice. Ele era jovem e representava a juventude. Raul estava atuando, convivendo com o Recife e tinha um sentimento muito grande da vida da cidade, da juventude e dos intelectuais.

O senhor sabe que ele procurou o doutor Roberto e disse que não gostaria de ser vice porque queria passar uma temporada na Europa?

      Nunca ouvi falar nisso. Ainda não absorvi aquela derrota, ainda não absorvi. Por quê? Houve uma diferença de 100 mil votos, do primeiro para o segundo turno. Aí, a euforia contaminou novamente a todos. Nos meus cálculos eleitorais, coloco a euforia como uma peça negativa, profundamente negativa. O sujeito deve ter suas convicções, mas não deve transformá-las num festival de vitória antes do fato consumado. Eu entendo assim. Agora fala-se também e pode ter contribuído com um pequeno contingente, a greve da Polícia.

O doutor Roberto diz que perdeu a eleição na greve da Polícia...

      Não, não acho. Não quero contrariar a interpretação dele, porque cada um de nós dá a nossa interpretação. Eu acho que está correto ele incluir a polícia como um fato inusitado, mas eu acho que foi uma contribuição, um filigrana também. No começo eu lhe disse que era um somatório de imperfeições e erros, não foi? Mas a euforia foi para mim o ponto vulnerável. O já ganhou é terrível. Roberto deu uma prova de que, realmente, é uma figura extremamente querida no Recife, haja vista a votação espetacular, ultrapassou os 100 mil votos na cidade do Recife, para deputado federal. E já tinha sido o campeão de votos nas eleições anteriores. E como perder uma eleição daquela? Foi o já ganhou.

O senhor acha que teve influência o episódio da banana, em Boa Viagem?

      Sensibilizou muito a opinião pública, porque houve um flagrante. Uma fotógrafa da Folha de Pernambuco conseguiu fazer a foto e estampar na primeira página. A Folha é um jornal que tem muita penetração popular, vendo muito na periferia, sobretudo na de baixa renda. Isso trouxe um impacto muito grande.

Como o senhor avalia o episódio?

      O gesto mostrou um desabafo desnecessário, que poderia ter sido contido. Mas, isso vai muito do temperamento da pessoa. Há políticos que são assim, temperamentais, outros são mais serenos. É a tal história que é secular: o político tem que engolir sapo.

É aquela famosa história de que Roberto Magalhães é pavio curto, não é?

      É. Ele tem essa pecha. Mas, foi um somatório. Ainda tem outras coisas que poderiam ser comentadas, que afunilaram para essa derrota que eu não absorvo. Repito: eu não absorvo.

Como vice, Sérgio Guerra somou ou atrapalhou?

      Não quero dizer que ele foi um peso pesado. Acho que foi um deslocamento desnecessário para substituir um que vinha convivendo, vivendo, trabalhando, executando e com penetração no segmento jovem, por um que chega para começar tudo de novo.

Sérgio Guerra também não tinha cara do Recife?

      Não. Não tem. Não é uma figura política que seja ligada ao Recife. Ele não é urbano. Raul é uma figura urbana.

O senhor acredita que havia um projeto de 20 anos da aliança jarbista e que, reeleito, Magalhães seria candidato a governador e Sérgio Guerra assumiria a Prefeitura?

      Não. Isso é especulação.

Por que, então, Sérgio Guerra teria deixado de ser deputado federal para ser vice?

      Olhe, isso são meandros que não penetrei. Não chegaram ao meu conhecimento. Se esse entendimento ocorreu é muito lamentável.

Há pouco isso se confirmou, porque Jarbas não queria disputar a reeleição...

      Sim. A Imprensa explorou que Jarbas não queria mais continuar. Houve isso. Pode ter ocorrido esse fato, mas eu não participei disso, embora seja vice-presidente do partido. Esses entendimentos não passaram por mim. Apenas me inteirei dos comentários pela Imprensa. Mas uma coisa formal, concreta, um fato que tenha sido marcante, não tenho conhecimento.

Há muitas lamentações no PMDB com a saída de Raul da chapa, mas ninguém lutou por ele. Como avalia?

      Eu lutei dentro do partido para manter o meu ponto de vista. Eu mantive a minha posição pela manutenção de Raul. Eu sabia que Raul estava muito mais acoplado, mais adaptado, mais próximo do povo. Sérgio Guerra vinha sem nenhum vínculo com a população do Recife. Era um corpo estranho nas eleições municipais. Raul era um componente da vida do Recife. Era completamente diferente. Subestimaram muito também a campanha do PT. Subestimaram muito. Tanto subestimaram que ele teve 100 mil votos.

Como o senhor avalia a influência dos debates na televisão no resultado da eleição?

      João Paulo tinha postura agressiva, porque tinha que partir para a agressão, usando até expressões antiparlamentares. Chegou muitas vezes a chamar doutor Roberto de mentiroso. A direção da campanha dele armou um sistema agressivo para ver se ele crescia no seio da opinião pública. Doutor Roberto teve uma postura polida na televisão, no rádio, uma postura ética. Mesmo algumas vezes agredido pelo candidato João Paulo, ele procurou evitar, alimentar esse diálogo áspero, agressivo, antidemocrático. João Paulo usou muito a agressão. Não sei se a coordenação de sua campanha entendeu que isso poderia somar. Eu politicamente acho que o diálogo na disputa eleitoral não deve partir para o pessoal, nem para ataques agressivos. Temos que procurar convencer a população com fatos comprovados, apresentando exemplos. Eu entendo assim.

Magalhães perdeu aderência na classe média?

      No segundo turno, sim. A classe média teve uma importância muito grande, que eu não esperava. Eu esperava que a classe média tivesse 70% do nosso lado. No segundo turno foi invertido.

Por quê?

      Esses fatos negativos que ocorreram durante a campanha contribuíram. Refiro-me aos erros da coordenação, inclusive o de não valorizar o papel dos vereadores. Em segundo turno, qualquer que seja o segundo turno, figura central de segundo turno é aquele que convive com o eleitor. No Estado, o deputado no Município, o vereador. E mesmo o vereador que tenha perdido. Não tenho laboratório de pesquisa, mas a pesquisa que eu faço, que tem dado certo, sou bem conceituado nisso, me levava a entender que 70% da classe média vinha para o candidato Roberto Magalhães. Para mim, isso foi invertido.

O senhor não acha também que foi um erro no primeiro turno achar que o adversário de Roberto Magalhães seria Carlos Wilson e não João Paulo?

      Não. Ninguém achava que era Carlos Wilson, não. Porque Carlos Wilson atuava na mesma linha política nossa, de centro-direita. Agora, o João Paulo não, era esquerda, pé no chão. Carlos Wilson conviveu com nossa linha política, com nossas áreas. A penetração dele era na elite, na classe média.

Mas, se não fosse a denúncia do calote, ele teria chegado ao segundo turno, não?

      Não, porque ele disputava o mesmo segmento eleitoral de doutor Roberto. No segundo turno, ele teve um papel fundamental: levou esse eleitorado de centro-direita para João Paulo. Além disso, no primeiro turno, ele criou a figura do “Mané da China”, que caiu na graça da população.

Mexia com doutor Roberto? Tirava ele do sério?

      É possível que tenha tirado. Era feita nessa direção, de atingir esse objetivo. Era uma coisa jocosa, entendeu? O povo gosta disso. A massa gosta. A política, vou repetir, é questão de engolir o sapo. Tem que engolir o sapo. Você não pode cair no desespero, porque inclusive cai no descrédito. Porque não tem a serenidade. Engolir o sapo significa manter-se na serenidade.

Por que esse episódio pode até servir para 2004?

      Já está servindo. O cuidado é grande. O Recife, na minha opinião, vem sofrendo um desgaste muito grande sobre todos os aspectos. É uma administração modulada a longo prazo. Uma administração de reuniões sucessivas sem uma necessidade objetiva. Com isso, a cidade sofre. É lenta a administração; O declínio da atual administração é grande por aí afora. A equipe não tem o preparo à altura da cidade do Recife. Entende? Foi uma equipe pinçada. A quem fez mais, a quem está mais próximo do poder, a quem está mais próximo do PT. Entende? A linha é essa.

Há quem diga que, na verdade, João Paulo nunca esperava vencer a eleição...

      É verdade. Ele entrou como um suicida. Ele nunca imaginou ganhar. Foi um equívoco da população do Recife.

O senhor acha que a população se arrependeu?

      Está profundamente arrependida. Tanto é que o declínio do prefeito é grande. A prova de que foi um equívoco é o declínio dele. Promessa que não pode cumprir. Faraônicas! Quarenta mil casas? Isso não existe! Paralela da Caxangá? Isso também não existe. Negar que hoje se locupletam da taxa tapa buraco, que tanto combateram na campanha? A rede de saúde está sucateada. As escolas necessitam de muitos reparos físicos. E o que fez da pedagogia da linha do ensino municipal? Tem falhas incorrigíveis. Então, a administração é um desastre! Bairros importantíssimos foram abandonados, as praças estão na mesma situação. Os canais – existem mais ou menos 100 quilômetros de canais – estão abarrotados, obstruídos. Estamos com um verão longo. Senão, teria sido um desastre. Há, também, uma propaganda enganosa. Tenho dúvidas, muitas dúvidas, não estou convencido de que esse anúncio que a Prefeitura fez, recentemente, de não sei quantos milhões para arrecifes da linha de Boa Viagem, na defesa do litoral, são mesmo para Recife. Devem ser para Jaboatão e Paulista, que garantiram recursos orçamentários para obras de proteção do avanço do mar.

O senhor foi bem tratado na campanha?

      Como é bem tratado? Considerado?

Recebeu apoio da majoritária?

      Não, minha estrutura foi insignificante. Eu nem sei se havia recursos para atender os vereadores. Isso depende muito de recursos. O que deve ser feito, no segundo turno, era ter conseguido, de qualquer forma, recursos para selar um entendimento com o PDT, com o Vicente André Gomes, os vereadores eleitos e os suplentes. Aí, a coisa andava, a eleição teria sido diferente. Eu não tive nenhuma estrutura do comitê oferecida pelo comitê central da campanha.

O senhor chegou a propor uma reunião com o PDT e os vereadores?

      Defendi abertamente, insistentemente. Eu e outros vereadores, vários vereadores, como Fred, Rafael, Romildo, Heráclito e Antônio Luiz Neto. A gente só falava nisso: que a composição tinha que ser com todos. E cadê o chamamento, que não vinha? Acredito que alguns desses tenham abordado esse tema lá no comitê, mas continuou uma euforia sem limites, um sapato alto terrível. Quando se começou a observar mais de perto, a oito dias do pleito, houve quem sentisse que a coisa tinha mudado. Mas, mesmo assim, ainda acreditava francamente na vitória. A essa altura, ainda tinha como fazer composição com o PDT. E, que eu saiba, não foi tentada com o devido zelo e carinho, com um interesse maior, mas superficialmente.

Qual é a ligação que o senhor faz dessa derrota e do abalo que provocou na Aliança?

      Essa derrota realmente teve reflexo nessa divisão recente. Porque se doutor Roberto estivesse na Prefeitura, nós estávamos mais sólidos. Aliás, na minha modesta opinião. Agora, como Recife é a cidade capitânia que comanda a opinião pública, o prefeito tem uma importância muito grande, porque a administração dele aparece. A administração dele leva a convencer que o administrador público tem interesse em servir a sua comunidade.

Algum fato importante que o senhor lembra da campanha?     

Os fatos importantes eu já falei. A questão temperamental e os episódios que citei. O desinteresse pelo colegiado representativo do Recife. Não se pode pensar uma eleição municipal sem se vincular profundamente com os representantes do povo. É a diária com o povo. É o que a gente chama de assistencialismo, mas não é. Porque o povo não tem de quem se aproximar para pedir nada. Não tem como chegar em um escritório de advogado e pedir para ele lhe ajudar numa causa. Não tem a quem pedir o sepultamento de um membro da família. A figura humana que ele tem que procurar é o vereador, o deputado. Por isso que se diz que isso é assistencialismo e eu não confundo isso com a necessidade premente do povo. Uma presença de um filho numa escola. Às vezes, um aviamento de uma receita porque um ente está doente. Tem que procurar o vereador mesmo. Se isso é assistencialismo, eu discordo. Eu vejo nisso a necessidade premente do povo.   

O que pode se configurar do que ocorreu com as eleições de 2000? O que eu disse retrata e expressa o que vivi. Só quem pode traduzir com fidelidade o episódio é quem viveu o episódio. Quem está de fora, opina, admite, analisa, interpreta, mas não vive o episódio. Eu vivi o episódio. Por isso, que eu cheguei a estas conclusões.

Fonte: Blog do Magno Martins.

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